Imaginem o que o coração sente mas a mente não acompanha, a idade avançada, a demência senil, a exigência da companhia, e ao mesmo tempo a doçura da atenção, de uma relação de outra dimensão. Isso tudo foi D. Dolores para mim, uma relação de outra dimensão com uma pessoa que não conheci saudável e que agora se vai, assim, como num domingo em que segurou em minha mão. A mãe de minha amiga foi parte de algo que foi meu também em um momento. Se isso representou algo para o mundo, não sei, mas com certeza representou algo para mim. Meu mundo está cheio de pessoas que não existem, mas ao mesmo tempo se transformaram em uma família distante, ou próxima. É perto delas que estou envelhecendo.
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Camarão com aipim
Contei que gosto muito de culinária, e falei sobre ter feito um camarão espetacular, mas não dei a receita. Comprei camarão sem casca, qualquer tamanho a partir do de Laguna serve. Claro que quanto maior, mais saboroso, mas nem sempre o dinheiro dá. Cozinhei o camarão no bafo com pimentão vermelho e amarelo, tomates e coentro. À parte cozinhei o aipim e bati no liquidificador com a água do camarão e coalhada. Juntei os ingredientes, adicionei sal, coloquei num refratário com queijo ralado e tomates por cima e levei ao forno para corar. André e eu comemos com arroz de alho (arroz branco, feito com azeite de oliva e alho) e salada de alface com cebola crua. Experimentem fazer e depois vocês me contam o resultado. Quem sabe nos vemos no domingo na Parada da Diversidade.
Preta Gil
Já há umas duas semanas estou me devendo este comentário. É que li uma entrevista de Preta Gil no site so Terra que dizia o seguinte: " A atriz e cantora garante que a sua fase polêmica
acabou. "Tudo que tinha para falar de indecente e imoral já falei. Não namoro
mulher há, sei lá, dez anos", contou."
A comparação, ou a proximidade de uma coisa e outra me pareceu bem infeliz.
Indecente, imoral e namorar mulher....isso me arrepiou os cabelos, só de pensar no tipo de reação que as pessoas podem ter ao ler esse tipo de comentário.
Depois, ainda vem a pérola:"Noiva do mergulhador Carlos Henrique Lima, Preta diz ainda que quer se casar com tudo a que tem direito."
Casar com tudo a que tem direito, como só os heterossexuais podem. Homossexuais não podem ter direitos de casal. Ou, para que tenham direitos de casal, passam por uma série de constrangimentos, começando pela diferente terminologia de casamento e união estável.
Bem, esta é uma crítica direta que faço ao discurso de Preta Gil e ao site do Terra.
Mais uma coisa: passando pelo Rio Tavares hoje, vi a chamada para a Caminhada da Diversidade no domingo. Sabe, fico possuída quando vejo chamadas para festas da "diversidade" coroadas com avisos como "use camisinha", "não transe sem camisinha". Quando se fazem raves, festas hetero (supostamente), ou outras festas consideradas heterossexuais as pessoas colocam esse aviso: "use camisinha"? Ou é só no carnaval? Bem, aqui fica uma crítica e uma sugestão, heterossexuais podem ser muito promíscuos, assim como qualquer ser humano. A sexualidade não pode ser negada, e a libido tampouco. Somos seres dotados de sexualidade, queremos fazer sexo - e fazemos, não importa de que forma. Assim, a sexualidade heteronormativa é uma falácia, uma mentira, as pessoas fazem sexo porque se sentem atraídas por outras, sejam do mesmo sexo ou não. Algumas até fazem sexo com animais. Então, colocar o peso da sexualidade sobre as diferenças binárias hetero/homo é uma grande mentira também. Avisos de "use camisinha" não são para estar unicamente em programações da diversidade. Teriam que estar obrigatoriamente em todas as programações onde haja mais de duas pessoas - ou uma pessoa e algum outro ente vivo.
acabou. "Tudo que tinha para falar de indecente e imoral já falei. Não namoro
mulher há, sei lá, dez anos", contou."
A comparação, ou a proximidade de uma coisa e outra me pareceu bem infeliz.
Indecente, imoral e namorar mulher....isso me arrepiou os cabelos, só de pensar no tipo de reação que as pessoas podem ter ao ler esse tipo de comentário.
Depois, ainda vem a pérola:"Noiva do mergulhador Carlos Henrique Lima, Preta diz ainda que quer se casar com tudo a que tem direito."
Casar com tudo a que tem direito, como só os heterossexuais podem. Homossexuais não podem ter direitos de casal. Ou, para que tenham direitos de casal, passam por uma série de constrangimentos, começando pela diferente terminologia de casamento e união estável.
Bem, esta é uma crítica direta que faço ao discurso de Preta Gil e ao site do Terra.
Mais uma coisa: passando pelo Rio Tavares hoje, vi a chamada para a Caminhada da Diversidade no domingo. Sabe, fico possuída quando vejo chamadas para festas da "diversidade" coroadas com avisos como "use camisinha", "não transe sem camisinha". Quando se fazem raves, festas hetero (supostamente), ou outras festas consideradas heterossexuais as pessoas colocam esse aviso: "use camisinha"? Ou é só no carnaval? Bem, aqui fica uma crítica e uma sugestão, heterossexuais podem ser muito promíscuos, assim como qualquer ser humano. A sexualidade não pode ser negada, e a libido tampouco. Somos seres dotados de sexualidade, queremos fazer sexo - e fazemos, não importa de que forma. Assim, a sexualidade heteronormativa é uma falácia, uma mentira, as pessoas fazem sexo porque se sentem atraídas por outras, sejam do mesmo sexo ou não. Algumas até fazem sexo com animais. Então, colocar o peso da sexualidade sobre as diferenças binárias hetero/homo é uma grande mentira também. Avisos de "use camisinha" não são para estar unicamente em programações da diversidade. Teriam que estar obrigatoriamente em todas as programações onde haja mais de duas pessoas - ou uma pessoa e algum outro ente vivo.
sábado, 29 de agosto de 2009
Trabalho, trabalho, mas um almoço e tanto!!!
Trabalho aos sábados pela manhã, dou aulas para uma turma de iniciantes de inglês na universidade. A única coisa que me faz levantar com prazer é saber que vou me encontrar com pessoas que valem a pena. Não é nada fácil trabalhar a semana toda e levantar cedo no sábado (alguns levantam às 6h para poder estar na universidade às 9h!!!) para ter aulas. Cada vez que penso em preguiça, penso nos sonhos dos meus alunos, na esperança deles, na força de vontade de sair do lugar. As aulas da gente são sempre divertidas, procuro trazer música, faço brincadeira com eles, e desta forma não somente eles ganham, eu também ganho, minha energia se transforma, parece que meu dia fica mais feliz. Sempre quis ser professora. Quando eu era menina e adolecente, costumávamos dizer que o curso de Letras era curso de espera-marido. Que coisa mais tonta de se dizer, já naquela época não dava mais para viver com um salário apenas, a não ser que a pessoa já tivesse dinheiro ou propriedades. Além disso, essa "brincadeira" custou-me muitos anos de vida acadêmica. Certa de que o curso de Letras não era para mim, fiz Ciências da Computação, nos anos 70. Estouro, a profissão do futuro. Eu segui até o fim a trancos e barrancos e enquanto fazia as matérias dava aulas de inglês e jogava vôlei e handball na universidade. Participava da Atlética, não perdia uma festa no DCE, cantava nas serenatas noturnas (delícia!!) dos anos 70. Levei um monte de tempo para me formar e, formada, guardei o diploma na gaveta. Até os anos 90 fui professora de inglês sem formação. Bem, amanhã conto mais. Aliás, preciso contar sobre o maravilhoso camarão no aipim e coalhada que fiz para o almoço.
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
O primeiro dia de aula
A emoção da primeira aula. Olhei para o rapaz lá na frente, com um sotaque diferente do meu, ele é italiano. Bem vestido, educado e interessante, não faz rodeios, fala com tranquilidade sobre sua trajetória e explica o que pretende com seu curso. Eu não sabia bem o que encontrar nesse curso de doutorado, onde estou com aluna especial ainda. Me interessa fazer com que minha prática de tradução fique cada vez mais reflexiva. Aprimorar meu trabalho sempre foi um desejo meu, e gosto muito de trabalhar com tradução. Evoluir, aliás, é uma palavra interessante. Para mim, evoluir tem cheiro de aprender, aprender a ser melhor, aprender coisas novas, novas palavras e novas atitudes. Talvez por isso eu tenha gostado tanto da primeira aula, o professor deu um texto sobre os paradigmas da ciência. Claro que já transfiro para minha vida, minha prática docente, minha convivência com as pessoas. Mudar paradigmas é um processo lento, cheio de complicadores, e eu gosto muito de enfrentar desafios. Este curso, assim como todos os cursos para mim são desafios. Sou dispersa e não consigo memorizar muita coisa. Sou inquieta e envergonhada, apesar de aparentemente extrovertida e segura. Engano bem, essa é a verdade. Sou super insegura e me sinto super frágil ao olhar dos outros. Por isso visto a capa da superwoman e tento fazer de tudo um pouco. Mas adoro enfrentar desafios, e claro, de preferência vencê-los. Ainda tenho muita coisa pela frente, tenho uma porção de desafios, todos os dias.
domingo, 23 de agosto de 2009
Conversas com Lola

Lendo o blog de Lola, vi a descrição bárbara que faz do Dragão do Mar, em Fortaleza, e suas imediações. Tive a oportunidade de visitar o lugar, embora não tenha podido aproveitar as atividades culturais pelo pouco tempo. Mas a vantagem de ficar hospedada na mesma rua do "Dragão" me permitiu umas incursões por ali. O lugar é um reduto de casario antigo, restaurado e muito bonito, com restaurantes a preços convidativos e comidas maravilhosas. Eu, que sou uma glutona de carteirinha, a quem os dicionários costumam denominar uma gourmet/gourmand (no bom sentido....hehehehe), provei de tudo um pouco: a carne de sol, tenra e com leve sabor de manteiga, a macaxeira que desmancha na boca, a paçoca, o baião de dois; provei também a patinha de caranguejo, mas tenho uma crítica a fazer: os restaurantes costumam empanar as comidas com uma massa grossa de farinha que esconde o sabor da iguaria e estraga o prato. Já que se mata o bichinho, ao menos que se possa sentir o gosto. Desculpem-me os amigos e amigas vegetarianos. Aqui em Florianópolis também servem-se casquinhas de siri que são mais farinha que siri, tornando o prato pesado e sem graça.
Isis, uma nova amiga, companheira de concurso, me contou sobre um famoso chopp de vinho que só é servido ali perto do Dragão do Mar. Lá fomos nós para comprovar e realmente é uma delícia. No dia seguinte Cintia e eu fomos lá e tomamos mais alguns!! Mas me chocou demais o número grande de pessoas que me recomendaram cuidado em relação à violência na cidade e nas praias. Não sei se tenho cara de estrangeira, mas até na rua me avisavem que ficasse atenta, que não caminhasse - mesmo nas imediações do Dragão do Mar - que não caminhasse pela rua do comércio depois das 18h, que não fosse caminhar na orla antes das 8h e depois das 18h, enfim...mas vi muita gente caminhando, muitas famílias. Talvez seja minha aparência...mas me deu um desconforto me sentir tão vulnerável. Sei que há violência em todos os lugares, mas sempre me choco com isso. Fiquei chocada ao ler no jornal em Florianópolis sobre o assassinato, a tiros, de uma comerciante em Ponta das Canas. A família tinha vindo viver aqui para ter sossego e segurança...
quarta-feira, 8 de julho de 2009
Blogs e concursos
Não estou mantendo a regularidade no blog e acho que meus leitores não devem achar muito divertido ler sempre a mesma coisa.... Bem, mas vou tentar ser mais regular! Entro assiduamente no blog Escreva Lola Escreva, que tem a crítica feminista mais inteligente e divertida que já li. Lola faz crítica de cinema, mas não só. Discute política, artes, movimentos sociais e questões ligadas à educação. Não perco a leitura e os comentários, sempre profundos e embasados em teorias, estudo e experiência.
Lola e eu tivemos nossas inscrições deferidas para um concurso na universidade, ela na área de inglês e eu de espanhol. Já estou em cima dos livros, estudando bastante. É a primeira ver que faço um concurso numa federal, então será uma experiência e tanto! Além disso, passei no exame de proficiência de língua estrangeira para poder fazer uma matéria no doutorado na área de tradução aqui na UFSC, o que me deixou duplamente feliz. Amanhã conto mais. Estes dias tenho almoçado em casa, e as comidas voltam à baila!
Lola e eu tivemos nossas inscrições deferidas para um concurso na universidade, ela na área de inglês e eu de espanhol. Já estou em cima dos livros, estudando bastante. É a primeira ver que faço um concurso numa federal, então será uma experiência e tanto! Além disso, passei no exame de proficiência de língua estrangeira para poder fazer uma matéria no doutorado na área de tradução aqui na UFSC, o que me deixou duplamente feliz. Amanhã conto mais. Estes dias tenho almoçado em casa, e as comidas voltam à baila!
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