quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Para um amor

Faz pouco tempo que você chegou, mas já chegou trazendo coisas boas. Dias sem final triste, noites sem tragédias, no entanto as emoções foram intensas. Quando eu permiti que essas emoções tomassem corpo em mim, senti uma completude incrível, sensação de estar no meu elemento, seu olhar me disse coisas que eu gosto de ver e de ouvir, não me preocupou o dia seguinte, não me preocupa o dia seguinte, isso é viver. Quando seu sorriso invadiu meu coração, ele já era seu. Algumas pessoas ocupam esse espaço, e é com prazer que sinto você ali, compartilhando com os amores de vida inteira. Beijo nos seus lindos olhos.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

poema

“de tudo durante a vida
sempre valerá a pena
todo perder, todo ganhar
todo partir, todo ficar
todo encontro, todo desencontro
todo choro, todo riso
a vida é mesmo isso
mesmo que a gente não veja
há tempos de cegueira passageira
em que os olhos serão esquecidos
mas por todo sonho que será sonhado
valerá a pena ter adormecido.”
(Cáh Morandi)

domingo, 5 de dezembro de 2010

3 de dezembro

Dia 3 de dezembro fez 7 anos que meu pai faleceu. Foi um cara extraordinário, e faz falta nas rodas de conversa e na cozinha, onde era especialista. Como arquiteto, projetou grandes obras,como professor foi exemplo para seus alunos, e como cozinheiro me fez ganhar alguns quilos! Um pai amável, mas bastante auto-centrado e acomodado, como são os homens nascidos antes dos anos 80, que focam na profissão e no social. Sempre tivemos uma grande empatia, por gostarmos de viajar, conhecer coisas diferentes, cultivar amigos, bater longos papos em cafés e botécos. Saudade dele, tenho a certeza de que curtiria demais este espaço em Floripa. Pena que morreu antes de eu me mudar. Mas a vida é assim, a gente aproveita, aproveita, e um dia morre, ficam as lições, a memória.

Não à violência contra as mulheres


A questão da violência contra as mulheres é uma das lutas que jamais devemos abandonar. Homens e mulheres devemos sempre estar engajados nesse tema e fazer nossa parte para que a violência não se reproduza nem no privado, nem no público. Quem pensa que o que acontece entre quatro paredes é assunto para ficar entre quatro paredes está contribuindo para a invisibilidade do fato, e alimentando os agressores. Copiei estas duas figuras que Lola postou em seu blog, não deixem de ver o original (escrevalolaescreva.blogspot.com). Com clareza, pontuando com grande discernimento, Lola fala sobre esse e sobre outros assuntos de grande interesse social.Vamos dizer não à violência, vamos denunciar.
O quadro diz o seguinte: 45% das mulheres já levaram bofetadas, foram chutadas ou apanharam; 75% das mulheres que apanharam tentaram cometer suicídio; 77% dos homens se sentiram ameaçados se suas mulheres não os ouviam; e 55% das mulheres
sentem a violência como parte normal de seu casamento.
E nós, o que faremos em relação a isso?



segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Carinhos

Uma das melhores coisas na vida da gente são os carinhos que vamos encontrando pelo caminho. Tanta gente boa e tanto amor, que às vezes não cabe dentro do peito. Há uma necessidade urgente de falar, de expandir, de deixar espalhar. A alegria de viver isso é o que nos leva adiante, apesar das dificuldades do dia a dia, das intempéries sociais, da discriminação, das dores, das perdas. Espero conseguir sempre manter essa linha, a de que o coração pode muito mais.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Os bons momentos da vida

Vou num fim de tarde para a serra, nenhuma pretensão, nada na mente a não ser aproveitar com pessoas queridas. Um final de tarde maravilhoso, a vista que se perde no horizonte, plantas, flores, amigos. Faço um jantarzinho tranquilo com shitake e espinafres,boa música e boa conversa. O vinho acompanha e eu me sinto nas nuvens. Vemos um filme e um show em DVD. Coisa boa, paz. Dia seguinte café da manhã perto do fogão a lenha, depois preparo o almoço de frango com natas. Lindo e harmonioso final de semana. Esses pequenos grandes momentos me fazem a pessoa mais feliz deste mundo.

sábado, 6 de novembro de 2010

Encontros e outros sonhos

Vinha lendo A trombeta de vime (César Aira) e encontrei um trecho que se dirigia a meu estado de espírito, que reautorei aqui: Estava deprimida, sentia a inutilidade de tudo, olhava à volta desconsolada por não encontrar fora o que não encontrava por dentro; é verdade que poderia ser resultado de cansaço, que injeta um terrível veneno na sensação de prazer e alimenta a sensação de melancolia. Mas, subitamente, quando achei que não haveria saída para essa questão, descobri em mim o desejo de contar histórias. Diz Aira: "Penetrou em mim, e tudo começava. Quem sabe de onde viera. Pouco importava! Ela não precisava nem sequer tomar forma, embora na Literatura a forma seja tudo. Bastava-lhe deixar que em volta do ponto encefálico onde se alojara, como um espinho cravado no pé, se espalhasse seu chá de êxtase. O velho mundo que um minuto atrás me dizia seu desalentado "para quê?”, agora me sussurrava um risonho "você pode"". Foi pensado nessas coisas que vi quando as duas figuras coloridas chamaram a atenção de Bárbara em meio às poucas pessoas que ainda caminhavam pelo jardim. Atrás das árvores, conversavam, trocavam olhares e risos, enquanto esperavam por ela. A aproximação de Bárbara fez seus sorrisos se esvanecerem, e, por trás dos olhos, os tons de curiosidade brilharam. Bárbara aproximou-se lentamente, e provocou seu olhar de curiosidade de volta. Abriu a boca, sussurrou algo incompreensível, mas que deveria ser um cumprimento, e baixou os olhos. Cumprimentaram-se, Bárbara levantou os olhos e olhou bem dentro daqueles quatro inquisidores pássaros sazonais que pareciam não querer compreender, mas estudar. Os sorrisos se abriram, os braços se abriram, os abraços quentes se espalharam. O medo foi se dissipando, a desconfiança se desmanchando entre as pétalas brancas que os lábios disfarçavam. Sentaram-se à vontade, como se o tempo e a distância não existissem. Histórias fluíram como se fossem verdades, e as verdades fluíram como se fosse histórias. As invenções do passado, aquela eterna verdade. Bárbara sentiu a nuvem se dissipando e sentiu a maciez das peles. Os cheiros, as marcas, as roupas que escondiam corpos sociais, nada lhe passou despercebido. Regou as plantas do jardim, plantas há tempos cultivadas e crescidas. Sentiu-se feliz por tê-las cultivado, o tempo só as fez mais belas e mais humanas. A proximidade das figuras coloridas desfez a insensatez e permaneceu sentada a sorrir, a escutar, a contar, a trocar. Houve quem pensasse um ser indivisível, tão próximas em um momento. Os pássaros se aninharam tranqüilos nas gaiolas, alimentados. Na hora da despedida, o docemacio dos botões se tocaram. Era hora da despedida. E foi então que me despedi, e senti que minha trombeta de vime disparou seus sons em direção à minha torre de marfim.