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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Mulheres e violência

Nascer mulher já implica numa série de impossibilidades e fragilidades socialmente construídas que vão desde a preocupação com a existência e a tentativa de preservação daquele pedaço de pele chamado hímem até aquela coisa pior, que é a vigilância masculina e a pretensa proteção (e posse) desse buraco chamado vagina. Mulheres não são seres humanos, são um monte de carne a serviço do macho, e ai daquelas que não correspondem ao ideal masculino! Relegadas ao nicho do caritó, dos tribufus, das machonas, marimachas, caminhoneiras, dragões, gordas, velhas etc. Horrorizada leio no DC, todos os dias, sobre assassinatos de mulheres por seus amantes, namorados, maridos, ou ex-isso-tudo. É incrível como se matam mulheres no Estado de Santa Catarina. "Machões" de plantão, inconformados com a separação, "machões" incapazes de reconstruir a vida sem a destruição da vida do outro, "machões" incapazes de respeitar o outro. Hoje li na internet sobre uma adolescente turca de 16 anos que foi enterrada viva pela família que não concordava com o fato de que ela "andava" com guris de outra casta, ou algo assim. Um "crime de honra". Aqui os "crimes de honra" não são menores. Homens esganam suas ex-mulheres, atiram para matar, exibindo o poder de vida e morte sobre aquelas que um dia foram suas companheiras. Vimos, atônitas, o assassinato da cabelereira pelo ex-marido, que já havia sido condenado. Esse homem voltou e a matou. Uns anos de cadeia, se é que pegará cadeia, e estará livre para continuar. A mulher, valente, que enfrentou esse monstro, está morta.
Mas a minha pergunta é: por que os homens se comportam dessa maneira ignóbil, por que a sociedade continua criando essa gente sem amor? No início dos anos 1980, se não me engano, houve uma mini-série na Rede Globo chamada "Quem ama não mata", com Marília Pera e Cláudio Marzo, se não me engano. Típico casal em final de relacionamento, ele descarrega o revólver nela. Antes disso, tivemos o caso Ângela Diniz e Doca Street, e esse não foi mini-série. Fotos da casa deles em Búzios, onde o crime foi cometido por um Doca Street drogado, bêbado e enraivecido, que matou a mulher, provavelmente drogada, bêbada e enraivecida também. Mas ele atirou nela. Várias vezes. Há pouco tempo vivi um drama bem próximo de mim, com minha ex-namorada, que acabou tristemente. Desta vez o agressor acabou levando a pior, mas só porque morreu antes de conseguir matar alguém. Drogadito, volta e meia agredia a ex-mulher e ameaçava matar os filhos. Foi trágico da mesma forma.
O que podemos fazer para conter essa onda de violência, a necessidade de "possuir" a outra pessoa, não lhe dando espaço para viver outras relações, ser feliz com outras pessoas? Acho que a escola e a ética familiar, acima de tudo, pode ajudar a mostrar o caminho para essas pessoas. Temos que mudar a mentalidade de gente acostumada a ter tudo, a não abrir mão de nada, a não respeitar o outro, a tomar o que quer seja por bem ou por mal. Se formos por esse caminho, quem sabe teremos menos violência de gênero em nosso país.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Violência de gênero

Tenho acompanhado quase diariamente as notícias do Diário Catarinense, principal veículo de informação em Santa Catarina depois da televisão. As notícias sobre a violência contra a mulher aqui são estarrecedoras. Quase todos os dias me deparo com um assassinato perpetrado por um ex, ou por um atual marido, namorado ou amante. Há pouco tempo um marido matou a mulher no norte da ilha e a deixou morta na garagem de casa, e seu assassinato só foi descoberto porque ela não apareceu no trabalho. O motivo? Caramba, importa o motivo da violência? O homem matou, seja por ciúme, por raiva, por vingança. Ele matou. Há poucos dias um homem agressor, que já não podia se aproximar da ex-mulher, se aproximou. E a matou com 11 tiros, dentro da loja de conveniências do posto de gasolina que eu frequento,no sul da ilha. Ele só está preso porque estava procurado por estelionato. Há outro tanto de tempo uma americana que morava em Sâo Paulo jantou com os amigos na praia dos Açores. Poucos dias depois foi encontrada morta e enfiada num saco em uma tubulação também no sul da ilha. Não se descobriu os assassinos. Esta semana uma menina planejou a morte da mãe e da namorada da mãe, que a "obrigavam a ajudar na limpeza da casa" . Por não aceitar o relacionamento estável homossexual da mãe, planejou matá-las, e a duas amigas. A idéa era abrir a porta à noite, e dois rapazes amigos as matariam a tiros. Os rapazes foram ouvidos pelo Conselho Tutelar e estão nas ruas outra vez. A menina ainda está em poder do Conselho. Como essa garota vai voltar a seu lar? Como essa mãe vai dormir com o inimigo? Em julho um homem foi atrás da ex-mulher no shopping e a matou a tiros ali mesmo. Estou tentando juntar todas as reportagens sobre esse verdadeiro femicídio que acontece em Florianópolis e no Estado de Santa Catarina, em busca de ajuda para que possamos também pensar numa campanha contra a violência de gênero aqui, uma vez que parece que as leis não estão sendo suficientes para frear essa sanha assassina de homens inconformados pela rejeição das mulheres. Ainda não sei como começar, mas vou descobrir.