sábado, 27 de março de 2010

Outono

Será que é a entrada do outono que me deixa assim pensativa e angustiada? O que poderia minimizar a sensação de inquietude, a vontade de voar como aquele pássaro lindo, um papagaio verde enorme que hoje, pousado no cinamomo vizinho, comia as frutinhas numa aparente tranquilidade digna de uma pintura? Na inquietude eu queria voar, mas igualmente queria ter os pés no chão assim como estava, um pouco touro, um pouco aquário, indecisa entre a aventura, o risco, e a segurança do conhecido, do lar silencioso e soturno desses dias nublados.
Cheia de coragem me declaro livre e tento alçar vôo, mas as asas me faltam naquele instante e, perplexa, sinto que já não preciso voar, já senti o prazer do vôo e estou novamente a sentir a mesma sensação de estranhamento. Não sou eu. É a fuga de mim, é a fuga do que me prende à terra. Deliciosa parte de mim que não precisa se justificar por essas vontades, que as abraça e as bebe. Deliciosa parte de mim que sofre e se recupera depois que a noite cai.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Brincando de fazer poemas

Poetando palavras gestos
sussurros risos chuvosos
delicados dias noites
calçadas molhadas curiosidade
catarse emoção
poeto-me assim
poeto você assim
poeto-nos enfim

quinta-feira, 25 de março de 2010

Coisas boas

Há coisas que vivo que são tão doces, que compensam a dureza da batalha diária:
1.receber um telefonema de carinho no meio do dia
2. sair do trabalho e tomar um vinho com uma amiga conversando sobre tantos assuntos quanto as estrelas que há no céu
3.receber um dinheiro da mãe quando a gente está a perigo
4. receber um torpedo de bom dia com palavras de carinho e beijos
5. receber orkuts amigos e carinhosos
6. ganhar um beijo gostoso dos filhos e noras
7. ganhar um beijo do filho enquanto ele diz que você é legal sem você ter feito nada naquele momento
8. tomar um café na Lagoa com as amigas
9. chamar a vizinha pela janela e ir tomar o café da manhã na casa dela sem preocupações
10. ir à praia e pegar jacaré com a bodyboard
11. receber o carinho e os rabinhos abanando da Coca, Pizza e do Chuchu, e ainda entrar em casa e ter o ronronar do meu gatinho Chico
12. passar uma tarde com as amigas lendo poesias enquanto elas arrumam o jardim
13. comer pão caseiro com café depois do jardim feito
14. receber um e-mail com beijos das irmãs
15. plantar árvores frutíferas no meu jardim
16. ver a lua pela janela do meu quarto
17. ver o sorriso largo dos alunos e sentir que nosso trabalho não é em vão
18. etc
Acho que tenho mais coisas doces que batalhas!

sexta-feira, 12 de março de 2010

Assembléia Legislativa, a casa do povo, muitas vezes a casa da mãe joana, ou: eu também quero uma bateria para mim!!!!

Abro o Diário Catarinense hoje e me deparo com a notícia de que, durante a gestão do deputado Jorginho Mello (PSDB) como presidente da casa, licitou-se e comprou-se uma bateria de fazer inveja às melhores bandas. Claro que nem o deputado nem seus assessores atenderam à reportagem para falar sobre o assunto, seguramente primeiro terão que consultar-se mutuamente e a seus advogados para saber como explicarão essa compra no mínimo estranha para a "casa do povo". As pessoas que frequentam esse lugar a trabalho estão ali para trabalhar, se não me engano.
O atual presidente do legislativo, Gélson Merísio (DEM), segundo a reportagem, disse que pedirá explicações ao deputado, mas que acha que "a licitação deve ter sido parte de algo maior, e não há como um presidente, ou um diretor-geral ficar prestando atenção em DETALHES" (caixa alta minha). Criatura, queria ser eu então o presidente da Assembléia por uma assinatura para assinar uma casa, um carro, um emprego, e algumas coisinhas que me faltam, como por exemplo um aquecedor solar, uma piscina. Também preciso arrumar o portão da minha casa, comprar umas roupinhas novas e por aí vai.
Não se dê a desculpa de que o valor é pequeno, a bateria custou cerca de 5 mil reais. O problema não é o valor, são OS VALORES. Um presidente que assina uma licitação e uma compra sem ler detalhadamente os itens, é conivente com a bandalheira. Uma Assembléia que compra uma bateria para eventos da Assembléia é conivente com a bandalheira. Desde quando uma casa do povo faz festas e bailes desse porte? E para quê? Esse lugar deveria ser lugar de trabalho, de políticos interessados em estar a serviço do povo e não gozando de privilégios em benefício próprio.
Espero que encontrem o responsável por essa compra absurda e por tantas outras coisas absurdas que acontecem no âmbito da política.
A pergunta que não quer calar: qual del@s ali é @ baterista?

quinta-feira, 11 de março de 2010

Reflexões 3

Já perceberam que melhorei, não é? Ainda não vou cantar vitória, mas parece bem animador, o prazer está voltando e os sintomas indo embora devagar. Algumas pequenas recaídas, enfrento a fera, respiro fundo e procuro ver se passa. Cuidar de mim e do jardim já são bons sinais. Chego à noite do trabalho, ligo o computador, verifico e respondo os e-mails, vejo o orkut, vejo fotos, mando mensagens, comento, procuro familiares e amigos antigos tomando uma taça de vinho tinto. É uma forma divertida de me distrair, principalmente vendo fotos e procurando fotos para subir no meu perfil. Às vezes encontro amig@s no msn e teclamos um pouco, mas em geral já é muito tarde, pouca gente acordada nesse horário. É divertido, me distrai do cotidiano. Não consigo ler depois do trabalho, pois fico desatenta, dispersa, então prefiro brincadeiras, bate-papos, ou filmes. Até que as fadinhas do sono venham me buscar e me levar para seu mundinho encantado.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Encontros caóticos

Hoje almocei com uma amiga querida, Lolita, que mora aqui em Floripa, veio de São Paulo como eu, mas que não via desde - incrível -...sei lá, desde há muito tempo. Almoçamos num restaurante vegetariano no Pantanal e matamos a saudade, aliás, alimentamos a vontade de nos reencontrarmos para mais conversas. Porque, quando você encontra alguém interessante e que tem um papo gostoso e cheio de idéias, propostas, conteúdo, é tudo que se quer. Falamos por horas, ouvi dela novas formas de encarar a vida, e de confirmar que o caminho que tomei em minha vida foi um dos melhores que poderia ter tomado, para não dizer o melhor. Afirmar leva uma dose de arrogância que não tenho (infelizmente?). Ela me falou sobre as certezas e sobre o caos, e eu falei sobre a ação. Tivemos uma interação que considero produtiva e revigorante, e nos despedimos tomando café no delicioso ambiente do Manhattan 44, um mercado na Carvoeira, lugar que me traz a memória de meus anos de moradora ali, e dos muitos lanches maravilhosos que Eliana e eu tomamos naquele lugar. Sanduíche de pão integral com queijo branco e tomate e vitaminado. Delícias de quem pode comemorar os muitos amigos que tem.