quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Sobre as ondas


Uma das coisas que sempre quis fazer foi surfar. Sempre gostei de estar perto do mar, de viver perto do mar, e acho que surfar deve dar uma sensação de voar com os pés na prancha. Bem, ainda não surfei, mas andei brincando nas ondas do Matadeiro com uma bodyboard, que talvez seja o mais adequado para mim agora. Não sei se eu daria conta de aprender a surfar agora, mas a bodyboard me dá uma sensação maior de segurança. Quando eu puder quero comprar um par de pés-de-pato para poder aprender a fazer algumas manobras. Primeiro vou fazer umas aulas com o pessoal ali da Barra da Lagoa, onde as ondas são mais amigas, depois vou começar a fazer umas gracinhas. Anteontem eu peguei várias ondas, mas sempre onde dava pé, ainda não tive coragem de ir mais longe. Apesar de saber nadar bem, estou destreinada e com pouco fôlego, preciso começar devagar. Os surfistas iam mais longe um pouco, mas as ondas estavam quebrando próximo à praia. O mar estava frio, mas muito refrescante! Amei esta nova aventura!

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Trilha do Matadeiro

(Os três aventureiros)
Estes dias tem sido maravilhosos. Reclamo um pouco do calor excessivo, mas é normal em dezembro, a temperatura sobe muito, chove e faz muito calor. É difícil dormir, é difícil ficar dentro de casa em qualquer período da tarde. Mas preciso contar as aventuras de uma cinquentona, afinal foi minha primeira grande aventura numa trilha, e me saí muito bem! Aqui na Ilha há muitas trilhas, algumas mais fáceis, outras mais escarpadas ou escorregadias, ou demoradas, mas essa que fizemos foi ótima! Meu filho Bruno, uma amiga, Ângela e eu saímos às 8h15 da manhã e fomos para a praia do Matadeiro, um dos caminhos para a Lagoinha do Leste. Na Lagoinha só se chega por barco ou por trilha, e a menor leva por volta de 1h30. Pegamos a mais bonita, essa do Matadeiro, que leva cerca de 3 horas quando a gente está destreinada como eu estou. Levamos duas garrafinhas de água gelada cada, e Bruno e eu levamos 6 barras de cereal. O caminho começou já um pouco íngreme, subidas em pedras, mas os caminhos bem delimitados, sem risco de nos perdermos. A primeira parte da aventura foi com tempo nublado, o que nos deixou felizes, porque assim o calor seria amenizado. Mas qual! Na metade da trilha, lá em cima, perto do céu, em pleno costão do Matadeiro, o sol saiu e começou a nos castigar. Estávamos de bermudas, camisetas, tênis com meias, e protetor solar. Eu levava uma toalhinha a tiracolo, pois a toda hora tinha que secar o rosto, que insistia em molhar meus óculos (usei óculos escuros de grau para a caminhada). Há três costões a vencer pelo meio da mata para chegar à Lagoinha. Vencido o primeiro, que era o mais arborizado, entramos no segundo, com uma subida bem íngreme, mas protegida, não há despenhadeiros. Como não havia chovido no dia anterior, o chão estava mais seco, mais fácil. Subimos, subimos, subimos. Nunca pensei em minha vida que eu subiria tanto. Sempre tive medo de altura, mas desta vez não tive medo, e algo mudou dentro de mim, com certeza. Aquelas encostas com o mar batendo nas pedras em baixo, o sol, o som do meu coração disparado, minhas pernas tremendo pelo esforço! Que experiência, que lugar! Na metade do caminho comecei a sentar algumas vezes, tomar água e molhar a toalha e passar no pescoço e na cabeça. Esperava o pulso desacelerar um pouco para continuar. A partir do meio da trilha comemos as barras de cereal aos poucos. Minha água logo chegou ao fim, mas Bruno e Ângela ainda tinham mais. Chegando ao topo do último costão vi a descida íngreme que ainda teríamos que enfrentar! Ah, mas antes, bem antes disso, tiramos uma foto da Ângela com um pedaço da sola do tênis na mão, e disse para meu filho colocar o nome na foto de “O lugar onde Ângela perdeu a sola”. No terceiro costão havia mais subida, e subimos muito. No alto, a recompensa! A vista da praia, linda praia de areias amarelas, e uma lagoa à direita, linda, um espetáculo de deixar atordoado! Bem, descemos, não tive medo, minhas pernas agüentaram e eu fiquei feliz como criança. Ao chegar à praia havia uma barraca com pescadores que estavam levando de barco as pessoas de volta às praias de origem. Isso foi ótimo, pois ao chegar na Lagoinha do Leste sofri várias câimbras, tive que pedir à Ângela que me segurasse o pé por várias vezes, pois doía muito. Eu não teria condições de voltar por uma trilha caminhando. Voltamos de barco depois de outras aventuras ainda na Lagoinha, que contarei a seguir. Foi maravilhoso, o lugar é maravilhoso, e fiquei feliz de conseguir realizar esse sonho aos 53 anos!
(à esquerda, vejam a última descida que enfrentamos!)
(aqui uma foto da Lagoinha com uma faixa de areia e o mar ao fundo! Paraíso!)

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Natal e quejandos

Gentes, sempre gostei de festas de final de ano. Não penso ideologicamente, questão de comércio, não penso no mundo em sofrimento. Neste momento parece que tudo fica exacerbado, porque todo o mundo pensa em resolver o que não foi resolvido e se comove porque todo o mundo se farta de comer e beber lembrando que há quem não tenha o que comer e beber. Mas a gente se esquece que essas pessoas não tem o que comer e beber durante o ano todo, não só nesta época do ano. Bem, se tem a ver com a culpa judaico-cristã, não sei, mas que as misérias existem e são reais, isso eu sei. Mas o que fazer em relação à miséria humana? Tentar fazer o melhor que podemos. Para começar, honestidade é essencial. Com honestidade o mundo seria outra coisa.
Há pessoas para quem o Natal não significa nada. Mas nossa cultura não deixa esse momento passar sem reflexão. A minha está aí. Honestidade é o que poderá nos ajudar a viver melhor.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Retrospectiva 2009, perspectiva 2010

Todo final de ano, como é de lei, a gente acaba parando para pensar no ano que está terminando e faz uma porção de promessas para o ano que se inicia. Vou comer menos, vou trabalhar menos, vou caminhar, vou beber menos, vou ser mais social, vou conhecer o mundo, vou aprender uma nova língua etc. Sempre assim. Este ano não ficarei devendo nada, não pegarei mais tarefas do que aguento, não direi não a meus amigos, serei sempre sorrisos, ou ao contrário, aprenderei a dizer não e fecharei a cara quando estiver com vontade. Hahaha, a idade ajuda em certas coisas, isso é verdade. Andarei com a roupa que bem entender, farei as unhas e pintarei de vermelho e tingirei os cabelos de preto, azul, marrom, vermelho, sei lá, da cor que me der na telha. Farei o check up anual, lerei vários livros de teoria e farei resenhas para não perder o gás. Prepararei atividades bem bacanas e diferentes para minhas aulas, e terei tudo prontinho em março, para não me estressar depois.
(suspiro)
Se penso em tudo isso para 2010 é porque não o fiz em 2009? Não...nao necessariamente. É que eu sempre acho que fiquei devendo, que não fiz tudo o que podia, que podia ter sido mais organizada, mais interessante, mais isso e mais aquilo. A meta é sempre atingir a perfeição, que é algo inatingível para que eu possa sempre sonhar. Então, se não sou capaz de fazer o máximo, ao menos sou capaz de fazer o melhor para aquele momento. Isso me consola...hehehehe....Assim meu sonho não acaba nunca.
Mas 2009 foi um bom ano. Tomei decisões profissionais que me agradaram, conheci pessoas excelentes, fiz novos amigos, amei muito e fui muito amada. Tive que tomar uma decisão dolorida em relação ao amor, e isso ainda me machuca. Mas hoje em dia, seja pela idade ou pelas experiências que a vida me proporcionou, consigo olhar para este ano como um ano de ganhos.
Não tenho muita coisa a mudar para 2010. Melhorar, sempre. Tenho vontade de fazer muita coisa ainda. Passear muito, curtir muito meus filhos, viver intensamente e sempre em paz com aqueles que amo. Acho que é isso, paz e saúde e amor! Perspectiva 2010!


segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Fugas

Faz tempo que não escrevo, acho que é vontade de manter a privacidade. Amanhã chega um de meus filhos, vamos nos divertir bastante. Fazer trilhas, tomar uma cerveja, passear, cozinhar e cuidar da casa. Aproveitar os momentos de descanso depois deste ano tão atribulado.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Terceiro Concurso de Blogueiras da Lola


Pessoal, vamos ver se eu consigo acertar o link. Lola está fazendo um concurso de blogs sobre a maternidade, são 25 blogs para vc ler e votar. o link é http://escrevalolaescreva.blogspot.com/search/label/concurso%20de%20blogueiras. Vamos ver se aparece. A Somnia fez o selinho para o concurso. Não deixem de linkar e ler os excelentes textos das blogueiras!

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

A gente até tenta a perfeição, mas não consegue

Eu tento sim. Tento ser legal, amiga, companheira. Tento compreender a dor alheia, porque acho que eu gostaria que compreendessem a minha. Isso nem sempre é verdade. As pessoas querem possuir umas às outras sem olhar para o bem que possuem. Possuir significa transformar o outro em seu brinquedo, poder mexer como quiser, virar, dobrar, e deixar num canto depois de satisfeito. Assim é com os brinquedos, e assim às vezes é com a vida. Todos nós manipulamos, criamos mundos e depois derrubamos os castelos com nossos empurrões de realidade. Viver não é fácil, amor de verdade não se encontra em cada esquina. Dizer eu te amo é fácil. Difícil é viver.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Bazar da turma da Enxaqueca Rio de Janeiro


20/12 - DOMINGO - às 14h.
Aê, pessoal, para a turma do Rio de Janeiro, uma inciativa bacana! Um bazar bem legal que a família da blogueira Garota Enxaqueca promove, o Cabide Bazar. Confiram! Mudou a data, mas o bazar continua em pé! Boas vendas e boas compras!

Bom dia, galera, acorda, Bau

Antigamente eu falava muito de meus sentimentos em tudo o que escrevia, e eram sentimentos doloridos, amargos. Talvez fosse por minha juventude, coisas de adolescente atormentada por sentimentos românticos, no sentido literário da palavra, ou porque eu, até os 30 anos, não tinha noção de que era lésbica, e do que significava para mim uma vida onde eu me sentisse incluída, apesar da exclusão a que a sociedade poderia me relegar (num determinado momento isso até aconteceu, hoje em dia, não mais). Sinto que minha vida ficou mais leve depois de poder me olhar de frente e pensar como devem ter sido difíceis estes anos em que eu me sentia estranha, mas não sabia o motivo. Imaginem uma pessoa que passa 30 anos da vida se sentindo um peixe estranho, apesar de bonita (eu era uma menina bonita), de classe média,simpática,esportista, cheia de amigos e amigas, nível universitário...puxa, e uma verdadeira ignorante de mim mesma. Eu ignorava meus desejos. Colocava um sorriso por cima de tudo e negava qualquer possibilidade de sofrimento. Isso transbordava, tenho certeza, de outras formas, mas como a vida é minha, não tenho como observar de fora, não sei como transbordou. Talvez em energia, alegria, contos, talvez no excesso de solidão interna e depressão. E agressividade contra mim mesma, me obrigando a fazer coisas que não queria.
Hoje acho que o panorama tem se alterado um pouco. Mais madura, mais atenta a mim, não quero mais abrir mão de coisas que são muito importantes para mim, mesmo que daqui a alguns anos elas já não sejam mais importantes. Não posso levar minha única vida levianamente. Antes tarde do que nunca. A gente um dia acorda. Bom dia, galera.

Sarau das Letras 2009

Sarau recém saído do forno, foi uma manhã de muita atividade! Reunimos os alunos do Programa de Línguas e mais convidados diversos e fizemos um sarau divertido. Os alunos e professores cantaram várias músicas, fizemos um vídeo de culinária, alunos preparando uma paella, com legenda e tudo, que a Renata editou e organizou. Foi uma despedida bem legal para nossos grupos, e acredito que um incentivo para a continuidade. Além de ter sido muito bom, ainda ganhei do meu amigo Tacel um livro de culinária, onde há várias receitas de salada vegetariana (ele diz que não quer me influenciar...só um pouco....huahuahuahua). Houve filmagem, fotos, coffee break com salgadinhos e refris diversos, tudo muito bem organizado e alegre. É muito gostoso participar desse tipo de evento, onde ninguém tem a pretensão de ser melhor, ninguém está competindo para ver quem faz o melhor. A gente se dá as mãos e cresce juntos.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Adoção por casais homossexuais - nós também podemos adotar

O Diário Catarinense anunciou ontem que um casal de lésbicas em Joinville conseguiu o direito de adotar a filha em nome das duas mães. Isso é um avanço muito grande e uma esperança de reconhecimento para um grande contingente de casais homossexuais que têm filhos adotivos ou naturais e que esperam a oportunidade de ter os mesmos direitos de casais heterossexuais. Ou seja, que o par possa ser reconhecido legalmente como pais ou mães. É uma situação familiar difícil quando uma é mãe e a outra é...tia? amiga? madrinha? Ora, é mãe também. Mãe e mãe, ou pai e pai, ou pai e mãe, o importante é que as crianças tenham um lar feliz, cheio de carinho, compreensão e de princípios éticos e de honestidade e caráter.
Link para a reportagem completa: http://www.clicrbs.com.br/diariocatarinense/jsp/default2.jsp?uf=2&local=18&source=a2734650.xml&template=3898.dwt&edition=13632&section=213

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Coisinhas do dia a dia

Agora que recomecei a falar de comida a coisa deslancha. Hoje fiz um almoço super simples, mas de dar água na boca. Olha, vejam só: Alface, tomate e cebola como salada, arroz e feijão fresquinho, e carne moída, feita no azeite de oliva com cebola, alho, tomate pelado e alcaparras. Delícia. Depois fui para o continente para dar aulas.
Vinha da Unisul pensando porque a nossa ponte não tem lugar para pedestre caminhar, e logo pensei em como a arquitetura é algo longe de nosso dia a dia. Meu pai era arquiteto, e talvez por isso eu tenha conhecido um padrão estético que normalmente não vejo nas paisagens. O que é funcional, não é bonito, e o que é bonito não costuma ser funcional. Enfim, são dois padrões. Fazer um edifício ou uma casa bonita significa ter um monte de problemas funcionais a gerenciar. No entanto, se você opta por um edifício ou casa funcional, tem que aguentar a barra de ficar num lugar absolutamente comum, sem nada que faça seus sentidos se alegrarem. Uma caixa de ferramentas. Será que alguém vai trazer vida a Florianópolis e fazer deste paraíso de lugar um lugar arquitetonicamente habitável?

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Chuvas

Chovia muito quando sai da universidade hoje. A BR101 estava cheia de carros, como sempre, mas isso é bom nesse trecho, pois com a chuva vamos todos em fila indiana, a uma velocidade baixa. Dessa forma nos protegemos um pouco da possibilidade de acidente. Havia um carro caído no fosso da entrada da Via Expressa, o pisca alerta aceso, provavelmente foi só o susto e os danos materiais da queda. Ao passar pela ponte, o espetáculo era digno de filme ou foto. Ninguém consegue parar ali para tirar uma foto. Sabe que penso muito sobre isso, quando vejo filmes sobre as pontes famosas, em qualquer lugar do mundo, há a passagem de pedestre e as proteções laterais. Aqui nossa ponte não tem nada disso, e se torna quase impossível registrar esses momentos ou ter pedestres a atravessar a ponte e apreciar a paisagem.
A água da chuva batia sobre os carros e caminhões e voava em direção ao norte, forte, as motos passavam devagar por entre os carros para não serem levadas pelo vento. Uma foto ali teria ficado linda. O lugar estava perigoso para todos, então nossa atenção estava redobrada, mas que paisagem!

ILHA DA...?

Parece que o dia ontem foi bem agitado com o pessoal do Kart aqui em Floripa, mas euzinha fiquei em casa, mesmo. Pode ser que tenha perdido uma bela oportunidade de ver uma corrida bonita e ver Shummy e Massinha de perto, mas mesmo assim preferi o sol no jardim, o almoço com meu filho e um amigo, e depois meus textos de teorias da tradução. Tenho ainda muito o que fazer antes do final do semestre. Provas a corrigir, exercícios a pensar, recuperação a planejar, aulas a dar, seminário a preparar, e isso vai me exigir bastante. O grande problema é o trânsito, e pelo que li no Diário Catarinense, a insegurança nos arredores de Canasvieiras. Muitos carros roubados nas barbas da polícia (aliás, acho que a polícia devia estar assistindo o evento ao invés de policiar, por isso tantos carros arrombados). Já sou pobrinha e vivo de salarinho, imagina ainda ter o carro arrombado, ter que acionar o seguro, perder o bônus (sou excelente cliente), pagar a franquia etc. Além disso, houve quem elogiasse as meninas simpatia, sempre presentes nesses eventos, de "roupinhas coladas" e tals. Para bom leitor, meia pa...É impressionante que o esporte "masculino" por excelência tenha que ter na porta 'beldades' de roupinhas coladas para atender aos olhares masculinos. Será que algum um dia deixaremos de ser carne de açougue? Não é porque tenho 53 anos hoje e meu corpo já não é aquela coisa...tenho celulite, peito caído, barriguinha de menopausa, mas já tive corpinho gostoso, nos padrões da beleza que a mídia nos enfia goela abaixo, e também já fui cobiçada como carne de açougue, e isso nunca me agradou, sempre me fez sentir desvalorizada e banalizada. Só que na época eu nao tinha blog.
Ah, voltando à corrida de kart, o Galvão Bueno, confundindo as ilhas...huahuahua....chamou a Ilha de Santa Catarina de ILHA DA FANTASIA!!!!!!!!!!HUAHAUHUA!!! Alguns chateados moradores também acham que a antiga Ilha da Magia hoje em dia deveria ser mesmo a Ilha da Fantasia. Enfiam na cabeça das pessoas que este lugar é o paraíso (e não digo o contrário, é mesmo!!!), só que a destruição que promove a sanha imobiliária e a falta de esgoto e de infra-estrutura social para um êxodo urbano é preocupante. Logo a Ilha da Magia/Fantasia se transformará num enorme aglomerado de prédios e condomínios, a situação da violência vai piorar, as praias ficarão nojentas, sujas, o tráfico de drogas vai ganhar espaço, enfim, vamos nos tornar a Ilha do Crack. Se é que já não somos.

domingo, 29 de novembro de 2009

O acarajé da Madá

Ontem à noite, após a cerimônia das cinzas de nosso amigo, decidimos nos reunir no Café Laguna. Tomamos uma cerveja e depois fomos a um lugar incrível, perto de casa, muito simpático, cheio de gente alegre e de astral positivo. É a casa da Madá, onde ela serve o acarajé mais delicioso que já comi. A casa é linda, de tijolo à vista, com cerca de jasmins e gramado impecável, cadeiras e mesas para todos. Dentro, um banheiro limpíssimo (ai, eu, que sou histérica com banheiros, achei demais de bom!) e a cozinha cheirosa de dendê! Tomamos mais uma cerveja saboreando o maravilhoso acarajé e nos despedimos na rua de terra, perto da cerca viva da Madá, à luz da lua que brilhava no céu estrelado do Rio Tavares. Quem nunca viu o céu daqui precisa vir para viver essa experiência. Acho que só tinha visto um céu assim nos anos 70, quando Itanhaém ainda era uma cidadezinha linda e limpa.

Escondidinho de camarão


Puxa, gentes, fazia tempo que eu não escrevia nada sobre comida, apesar de continuar saboreando finas iguarias quase semanalmente. Sábado dou aulas até meio-dia e saio louca para fazer arte. Passei no super, comprei camarão médio, mandioca e salsinha. O resto eu tinha em casa. Cozinhei a mandioca com pouco sal e depois bati no liquidificador com leite de côco. Numa panela à parte refoguei os camarões,cebola em rodelas finas e salsinha, levemente temperados, com azeite de oliva. Quando cozidos (é super rápido), coloquei num refratário um pouco da massa de mandioca, os camarões por cima, uma camada de queijo parmesão ralado e por cima mais uma camada da massa de mandioca. O resultado foi um escondidinho de camarão delicioso, leve, com gosto de quero mais! O André e eu devoramos com salada de alface.

Homenagem ao Ivo Renato

Logo que me mudei para Floripa vim morar na casa de uma prima de uma amiga. Ela morava no local também, e uma das primeiras pessoas que me apresentou foi o Ivo Renato, que fazia mestrado em literatura na UFSC, assim como eu, mas já estava quase defendendo. Depois destes poucos encontros e papos, nos vimos várias vezes, no café da Lagoa, na casa da Rô e em aniversários aqui em casa e na casa de amigos. Tivemos pouco contato, mas sempre agradáveis. O Renato era uma pessoa agradável, de boa conversa, bom leitor. Há pouco tempo adoeceu e se foi, não faz ainda um mês. Ontem amigos e parentes fizeram um linda homenagem num local lindíssimo, a Ponta das Almas, na Lagoa da Conceição. Era seu desejo ficar aqui, e depois da cremação a família trouxe suas cinzas. Num lindo fim de tarde do dia 28 de novembro nos reunimos na Ponta das Almas e desejando a ele uma linda passagem os familiares depositaram suas cinzas na Lagoa, onde jogamos pétalas de rosas e flores. Renato, que você repouse, descanse a cabeça feliz agora que as angústias e incertezas da vida já te deixaram em paz. Um grande beijo, amigo.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Aniversário

O mês de novembro é um mês bem especial. É quando aniversaria a Fá, uma pessoa que vive dentro de meu coração passe o tempo que for. Sabe uma pessoa que conviveu com você no dia a dia durante muitos anos, apoiou, esteve a seu lado e acreditou em sua capacidade? Que acompanhou suas vitórias e fracasssos e que você também acompanhou e esteve ao lado? Pois é. Claro que nem tudo são flores, quando a gente tem muita intimidade com outra pessoa às vezes há mesmo problemas sérios, ou ao menos no momento a gente considera como sérios. Mas o tempo e as mudanças na vida fazem a gente perceber que tudo é bem relativo, e o que hoje é muito importante amanhã não será, e o que hoje é insignificante amanhã tomará proporções imensas. Mas voltando ao início do texto, este mês é de aniversário dessa pessoa a quem desejo tudo de bom. Generosa, amiga, responsável, presente. Beijos, minha querida Fá, muita paz, amor e saúde, cercada de pessoas tão lindas quanto você.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Os gatos e os pássaros

Não é novidade para ninguém nem aqui no bloguinho nem no meu dia a dia que sou amante dos animaizinhos, e me encanto com as novidades e gracinhas deles ainda mais do que com as crianças. Talvez por serem mais indefesos e mais fiéis. Mas de qualquer forma, sou uma apaixonada por animaizinhos. Tenho um gato, o Chico, e atrás do Chico aparecem sempre alguns gatos ou gatas da vizinhança para comer e aproveitar quando não tem muita gente em casa. Ontem vi o gato (ou gata) branco sentado na janela de meu quarto...podem imaginar a ousadia do cara? Sentando na janela!!! Daqui a pouco estará deitado sobre meus lençóis e eu...onde ficarei? Hoje pela manhã escutei o André dizer que por sorte o Chico tinha saído da cama dele. Aí perguntei porque, claro, e ele me disse que não tem coragem de mudar de posição quando o Chico está dormindo sobre as pernas dele, tem pena...puxa, que gato de sorte! Eu já sou menos boazinha, tiro o Chico do lugar, viro, e não sei, ele se ajeita depois...
Bem, voltando ao gato branco, hoje vi uma cena inédita. Sempre vejo os gatos perseguindo os pássaros, e de vez em quando tenho que libertar uma pobre rolinha ou um pardal da boca do gatinho mau Chicão. Quando não estou em casa, infelizmente, o Chico acaba com o pobrezinho. Pior, come o bichinho, só sobram as peninhas. Mas hoje o gato branco estava no telhado, e vi algo incrível. Um Bem-te-vi, bem esperto e provavelmente protegendo seu ninho, dava rasantes fenomenais sobre o gato e o bicava nas costas. Fez isso várias vezes, até que o gato fugiu. Eu estava sem a câmera, e não consegui fotografar, mas fotografei com as palavras.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Uma noite chuvosa de novembro

Hoje faz calor, e cai uma chuva mansa. Pareceria uma garoa paulista se não estivesse tão quente. E falando em paulista, este fim de semana aconteceram coisas bem legais. Estive num bate-papo sobre literatura lésbica na Livraria Cultura, em São Paulo, e a Editora Malagueta estava lá, com suas novidades. A escritora Karina Dias falou sobre seu trabalho, e sobre seu próximo título, Aquele dia junto ao mar, e ganhei uma camiseta da autora. Foi uma grande alegria rever as amigas que há tempos não via, e ao mesmo tempo poder compartilhar um pouco do entusiasmo e da valentia dessas mulheres, que lutam contra a lesbofobia, o silenciamento e a falta de incentivo para os projetos destinados ao público lésbico. Eu tenho muita admiração pelo trabalho dessas mulheres, e sempre penso em como poderia contribuir. Uma das formas é fazendo uma parceria com a universidade para que apresentem sua proposta e vendam os livros, e que vendam muitos livros! Outra forma é propondo atividades com os livros lésbicos, estimulando o debate, em cursos de formação de professores.
Outra coisa bem legal que me aconteceu foi ter ido com Cintia nesse espaço, ela ainda não tinha participado de uma conversa assim, e fiquei feliz por estar ali com ela. No dia seguinte encontramos com minha irmã e minha sobrinha, almoçamos um risoto maravilhoso no apartamento, e depois encontramos com meu filho e minha nora,e fomos visitar os pais dela. Era aniversário do pai de Ray, e tomamos cerveja (aproveitando a desculpa do calor...huahuauh) e dançamos muito ao som de Jorge Aragão, Ana Carolina e outros...nem me lembro mais. Pena que eu tinha que voltar. Foram 11 h de ônibus leito, que estava com o ar-condicionado defeituoso até Curitiba...ninguém merece!

domingo, 25 de outubro de 2009

Famíla reunida 2

Ufa, será que uma hora a pilha acaba e temos um tempo para recarregar a nossa? As crianças brincaram, brincaram, brincaram. Em dia de sol (o tempo não está ainda firme nem quente o suficiente) a gente vai até uma praia mais protegida e eles correm e brincam e choram e comem batatas fritas e isca de peixe pensando que é isca de frango. Hehehe, será que um dia eles saberão? Vários dias numa festa só, bolas, brinquedos diversos, lápis de cor, papel, discovery kids e DVDs, Shark Boy e Lava Girl, Coca-cola, MacFeliz. Playland no Shopping em dia de chuva. A gente nem sente o tempo passar. No supermercado, aquele mico: eles correm por todos os lados, se batem, eu vejo as pessoas conversando com eles, tentando que se levantem do chão...Eu vejo eles correndo pelo meio das prateleiras e me pergunto: o anjo está segurando as latas, os vidros? Parece que sim. Agora um de fralda, o outro abraçado à mãe, dormem. Eu me lembro do dia e respiro tranquila, ainda bem que há as noites para a gente se recuperar!

sábado, 17 de outubro de 2009

Família reunida

É uma delícia quando Cintia fica um tempo aqui comigo. A gente faz uma porção de pequenas grandes coisas, como fazer umas comidas diferentes, fazer planos para o futuro, sair para passear juntas, entre outras tantas coisas que se faz com quem se ama. Desta vez ela veio com os dois pequenos, um de cinco e o outro de seis anos. Quem tem filhos, sobrinhos ou filhos de amigos sabe bem o que é isso. Só relatando algumas aventuras: o pequeno chegou de São Paulo com um começo de crise de bronquite, então corremos ao posto de saúde para providenciar a medicação correta. Nessa noite ele dormiu conosco, pois ficamos com medo de ele piorar. No dia seguinte choveu o dia todo, nao deu para sair de casa, e à noite ninguém dormia. DVD, tevê a cabo, lápis de cor, giz de cera, livrinho para colorir, não havia o que desse conta. Ainda bem que na terça uma brecha permitiu uma ida à praia, aí estivemos em Sambaqui, onde estava mais quentinho, e eles puderam brincar no mar! Que farra! Foi bem gostoso. Na quarta-feira eles foram conosco à universidade, eu ia apresentar um filme para os alunos. No início todo o mundo ficou quietinho, sentadinho, mas depois de uns 10 minutos...entra e sai, sai e entra da sala, até quase o final do filme. Depois da aula fomos passear no Parque Ecológico, eles brincaram muito. Ontem fomos ao parque ecológico novamente, brincaram, viram o jacaré, as tartarugas e os coelhinhos, mas esfriou e arriscamos uma ida ao Shopping Center. As crianças andaram naquela bola sobre a água e aproveitamos para filmar, depois comeram os previsíveis McDonald's. Chegando das aulas, à noite, demos boa noite, eles foram dormir. Hoje pela manhã saí para dar aulas e a surpresa: as quatro maçãs que estavam na fruteira estavam jogadas no quintal. Contei para Cintia e logo que cheguei em casa da aula chamei os meninos e perguntei quem tinha feito aquilo. O maior apontou o menor, que disse que era para a Coca-Cola (a cachorra....)! Gente, quando há crianças não há monotonia. E eu adoro eles.

domingo, 4 de outubro de 2009

Faxina nossa de cada dia

Puxa, detesto fazer faxina. Acho que é o trabalho mais chato deste mundo, depois do trabalho do papel higiênico (essa piada é velha). Necessário igual, porém, para mim...eu bem podia passar sem essa. Mas olho em volta e pisco os olhos espantada, será que tem algum lugar que esteja mais ou menos organizado ou limpo? Só meu banheiro, pois todos os dias lavo o banheiro durante o banho. Lavo mesmo, viu? Com água sanitária, esfrego o chão, lavo e passo o rôdo. Será que tem acento? Não sei e não vou verificar. Bem, fora meu banheiro, estava tudo sujo. Poeira, respingos, jornais velhos, aquela coisa de casa sem faxina há tempos. Não tive alternativa, dediquei o domingão ao lar! Shorts e camiseta, havaianas e uma boa dose de bom humor. Pano na cabeça eu recuso. Blues na TV sky para poder ao menos dançar enquanto limpo. Assustei o Chico com o aspirador de pó, ele detesta o aspirador tanto quanto eu detesto a faxina. Tive que brigar com ele para arrumar a cama, Chico não deixava, puxava as cobertas, entrava por baixo do edredon e sacaneava tudo. No final ele venceu, deixei meio arrumada.
Depois de tudo limpinho (claro que levei o dia todo...) tomei banho e estou aqui contando meu dia. Detesto fazer faxina, mas adoro a casa limpa. Estou me sentindo feliz, a sensação do dever cumprido para comigo mesma, hehehehehe.

Hoje é dia dos animaizinhos



Hoje é dia dos nossos queridos animaizinhos! Acho que já contei que tenho duas cachorras viras, uma e da raça Labrador, mestiça com American, preta de manchinhas brancas, meiga, pesa uns 45 quilos mais ou menos e se chama Coca-Cola. Assistiram Marley? Pois é....hiperativa, comedora de árvores e esburacadora de jardins, roedora de cadeiras e...a bichinha mais doce e carinhosa deste mundo. Os meninos sobem nela, brincam, jogam bola, ela adora. Quanto eles não estão aqui ela fica mais arteira do que nunca.
A outra cachorrinha, a Pizza, é meio vira (de estirpe, a mãe, a Anita e o pai o Dobby, Daschenhund puríssimo, da minha irmã Beleleiz). A Anita nasceu em casa, cria da Loli, uma cachorrinha que peguei na rua, em São Carlos, SP, e do Átila, valente vira-lata de pequeno porte, das vizinhanças, na cidade de São Sebastião, litoral norte de SP, onde morei por uns anos. Anita nasceu lá, caiçara. A Pizza nasceu em São Carlos, SP, e agora moramos aqui. A Coca é cria barriga-verde, peguei na minha vizinha da frente. A mãe se chama Raika, o pai eu não sei. Gosto de saber as origens de nossos viras....Minhas meninas foram castradas, além do sossego no período do cio ainda tem a vantagem de podermos adotar outros bichinhos sem lar quando os nossos se forem.
Quanto ao gatinho, o Chico, adotei de uma amiga que ia para o exterior e não tinha como levá-lo, ele era arredio, é um gato dominante e não gostava da companhia dos outros animaizinhos em casa. Para mim foi uma terapia incrível, estava numa época muito difícil de minha vida, na virada da menopausa, em que sofri um abalo horrível depressivo, tive problemas sérios de comportamento, de manias, enfim, nada que um bom remedinho e a terapia não curassem. Passados estes anos, vejo o Chico caminhando pela casa como dono dela, e agradeço a presença desse gatinho naqueles momentos terríveis. Mas tem um pormenor, ele não aguenta as cachorras, morre de ciúme. Também não suporta as crianças e a Cintia, tudo por ciúme, e quando eles estão aqui ele só entra escondido para comer e depois se refugia, quentinho e magoado, no quarto do meu filho André. Como Cintia não está aqui hoje, adivinhem onde ele está? Claro que no meio da minha cama, sobre os edredons! E ele sabe quando eles vão embora, é só eu voltar do aeroporto, entrar em casa, e ele vem atrás, sobe na mesa e me olha com um olhar penetrante. Se tento pegá-lo, ele foge. Demora uns dois dias até voltar a dormir na minha cama...Esses bichos...são gente!

sábado, 3 de outubro de 2009

O repolho roxo

Depois eu conto se o repolho roxo funcionou, ou se continuo com gastrite....huahuahuahau

Almoço aos sábados

Os almoços aos sábados estão se transformando numa grande fonte de prazer para mim. Primeiro porque estou dando aulas aos sábados pela manhã, e ao sair, ao meio dia, estou varada de fome. Segundo, porque no trajeto do continente para a ilha eu venho caraminholando o que cozinhar, já que passo bem em frente ao mercadão, onde posso comprar as coisas mais deliciosas que um ser humano tenha notícia: tainha, anchova, salmão, cação mangona, camarões de todos os tamanhos, linguado, carne de siri, mariscos, e maravilhosas ostras. Também posso comprar alface, rúcula,tomates, pimentões de todas as cores, limão, cebola, alho, coentro, salsa e cebolinha e temperos diversos, para todos os gostos. Também há nozes, amêndoas, castanhas, além de azeites, açafrão da terra e açafrão italiano etc etc etc. Hoje eu passei por ali, mas estava meio dura, então fui direto ao sacolão, perto de casa, que também é maravilhoso. Um amigo meu contou que sua irmã, que é enfermeira, lhe disse que os pacientes que sofrem de hemorróidas fazem banho de assento em repolho roxo, que é um super cicatrizante...Comprei repolho roxo...eu não tenho homorróidas, mas tenho gastrite e esofagite, então pensei, se cura hemorróidas, deve curar gastrite, mas claro que não me sentei sobre o repolho roxo, cortei bem fininho para minha salada. Decidi não cozinhá-lo, pois, além de preferir salada de repolho, ninguém merece o afterwards de um repolho cozido. Afe! Bem, aproveitei e passei no supermercado em frente, onde lindas bistecas suínas me olharam...a R$6,00 o quilo. Daí que trouxe um quilo. Também comprei cerveja Antártica, ao preço de R$0,99 por latinha, achei uma pechincha, trouxe 4. Tomei uma enquanto preparava minha comida: fiz feijão preto (que cozinho na pressão só com uma folha de louro e depois de cozido adiciono uns dentes de alho e sal...adoro!), fiz arroz (esquento a água, frito levemente uns dentes de alho no azeite de oliva, coloco o arroz, misturo um pouco, ponho a água fervendo, o sal, e tampo a panela, deixando em fogo baixo - garanto o resultado delicioso). Depois temperei duas bistecas com sal de alho e limão e fritei em minha frigideira de ferro. O almoço então foi arroz e feijão, com farinha de mandioca do mercado central de Fortaleza, bisteca suína e salada de repolho com alface. A tudo isso somaram-se duas pimentas malaguetas das pequenas, de chorar de bom. No final, o cafezinho de praxe. E ainda sobraram 3 cervejas para a noite....EEEBBBAAA. Beijos!

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

em volta do meu umbigo

O sol sai e parece que meu mundo abre. Tempo frio europeu me mata entre dúzias de dores e não sei o que fazer com isso, que pesa tanto. A casa fica grande demais, no minuto seguinte fica pequena demais, deixo o quarto desarrumado, a casa sem varrer, não passeio com as cachorras, bem coisa de gente depressiva. Por que levei a vida inteira negando? Acho que a negação é medo. Como pesa ser mulher, como pesa ser mãe, como pesa ser mãe lésbica, como pesa ser professora lésbica, como pesa ser professora, mulher, lésbica. A pressão social embutida em tudo pesa. Como pesa a censura das lésbicas, que é tão pesada quanto o peso da censura heterossexual, talvez até mais, pois a gente percebe que não faz parte de um grupo que se defende, mas um grupo que se vigia, igual a qualquer outro grupo social. Sair do armário e viver coerentemente é difícil, quase impossível. Consegui coisas incríveis, mas perdi muita coisa pelo mundo por tentar viver coerentemente. Dizem que não vale a pena sofrer por isso, são coisas que não servem para nós, mas sofro, sim, porque gostaria de ser igual a todo o mundo e poder viver em todos os espaços inteiramente. São pensamentos, são desejos.
Tenho coisas aprendidas com minha mãe que são muito legais, sabe. Ela tem uma generosidade bacana, se vê alguém na rua em dia de chuva, pára o carro, leva a pessoa seja lá onde for. Aprendi isso com ela, e algumas vezes faço o mesmo. Passei muito tempo sem carro e todos os dias uma colega de trabalho e eu pegávamos o mesmo ônibus, moramos perto. Quando Cintia e eu compramos o carro, eu ofereci para trazê-la; ela e mais uma aluna e mais uma amiga, todas pegavam carona comigo. Um dia a moça estava no carro sozinha e me perguntou sobre minha vida sentimental, eu contei que era noiva de uma mulher, que íamos nos casar. No dia seguinte ela me passou um torpedo agradecendo e dizendo que não podia mais pegar carona comigo, que de agora em diante o marido a buscaria no trabalho. Bem, chegando perto de casa eu a vi subindo a rua à pé. Passei por ela direto, me perguntando o que faz uma pessoa reagir assim: ou minha sexualidade mexeu com ela, ou o marido acha que lésbicas são um perigo em potencial. Engraçado, eu nunca perguntei a ela sobre sua vida sentimental...falávamos sobre receitas, churrasco, cervejinha, filhos, drogas,trabalho, coisas da vida, enfim. Por isso eu digo, pesa. Pesa muito.

domingo, 27 de setembro de 2009

Cinema espanhol

Acabei indo ao cinema, apesar da chuva. Já estava cansada de ficar trabalhando em casa, e achei que seria uma boa pedida ver um filme espanhol. Certamente não me arrependi, é uma comedinha bacana, e o elenco é fabuloso (Maribel Verdú, Blanca Portillo, Jesús Castejón, Víctor Valdivia, Enrique Villén) . Eu sou fã da Blanca Portillo, que fez a Augustina em Volver - Almodóvar. A história é sobre uma moça (Maribel Verdú) cujo pai tem um negócio de bilhar e é jogador. O homem está muito doente, e a filha vai com o neto para vê-lo, mas ele morre antes. Sua amante Charo (Blanca Portillo) conta que ele estava arruinado financeiramente, e a filha decide reativar os negócios com a ajuda de Charo e dos amigos do pai. A história é leve, o humor interessante, ou seja, não se perde por vê-lo. É verdade que também não se ganha muito, mas é uma diversão garantida para uma noite chuvosa de domingo. Ainda mais quando, depois do filme, a gente vai com as amigas comer uma maravilhosa pizza no Saint German.
Ouvi comentários sobre o filme de ontem, REC, que disseram ser terrível, muitas pessoas saíram da sessão antes do final, pois era um filme de horror e a maioria não sabia. Nem todo o mundo tem estômago para filmes de horror, e eu também não tenho...morro de medo. Filmes de suspense também me deixam particularmente nervosa, evito. Gosto de dramas, aventura, policial, cult. Não sou muito chegada a comédias. Mas valeu a saída, com certeza.

Sopa de ervilhas e cinema

Acho que vou arriscar e enfrentar o tempo chato lá fora para assistir ao filme espanhol Sete Mesas de Bilhar Francês, com direção de Gracia Querejeta. Faz parte de uma mostra de cinema espanhol que estão apresentando no Cine Clube Sol da Terra, que é um espaço cultural muito especial aqui em Florianópolis.Infelizmente eu não pude ir aos outros, por causa do trabalho, mas hoje será que o mau tempo será um desculpa? Espero que não.
Ah, fiz a sopa de ervilhas, nada de especial, fritei alhos e um tanto de bacon no azeite de oliva, coloquei as ervilhas (que já haviam ficado um tempo de molho) e aproveitei umas linguiças sequinhas que eu tinha no congelador, são umas linguiças coloniais temperadas quase sem gordura, eu gosto muito. Provei o sal, deixei tomar gosto, e tomei o caldo com pimenta malagueta. Olha, repeti o prato, mas isso vocês não contem a ninguém! Só mesmo num domingo chuvoso!!!

A boa viagem das orientações


É a segunda vez que tenho o prazer de orientar alunas para seus trabalhos de conclusão de curso. A primeira experiência foi muito boa, com alunas que queriam discutir a literatura de Cassandra Rios no contexto da visibilidade lésbica. As orientandas fizeram um trabalho bastante interessante, que merece ser apreciado como projeto de mestrado. Um aspecto que considerei relevante neste trabalho é que não há relação entre o interesse delas pelo tema e suas vidas pessoais. Isso me deixa satisfeita, pois há sempre uma reivindicação por parte da crítica conservadora de que a crítica lésbica só é feita por lésbicas, a crítica gay só é feita por gays e assim por diante.
A segunda experiência está sendo muito marcante pelo mesmo motivo. Mas por razões pessoais de cada uma das três participantes do grupo e da própria orientadora, euzinha, muitas vezes as discussões teóricas levantadas acabam trazendo aspectos de repressão sexual e de gênero familiar e social sofridas, que nos levam a refletir não apenas sobre o alcance da pesquisa delas, como repensar nossas próprias práticas diárias passadas e presentes. Não vou contar ainda sobre o tema, pois teremos uma apresentação em grupos para trocar experiências, e aí as orientandas terão a oportunidade de expor suas idéias e compartilhar. Esperarei até então para contar no blog.

Hoje amanheceu nublado e chuvoso. Já fez calor, esfriou, choveu, caíram pequenos granizos, e agora está uma chuvinha fina, boa de dormir. Estou pensando em fazer um creme de ervilhas para o almoço, preguiça de sair de casa com esse tempo. Além disso, ainda estou terminando o trabalho de revisão, que me tomou muito mais tempo do que eu pensava. Adoro os trabalhos de revisão e tradução de textos, mas é difícil dar um prazo, às vezes a gente se engana...desta vez me enganei feio, estou levando um tempo enorme nos textos, e olha que não estou enrolando...só agora parei para escrever no meu bloguinho.
Depois dou a receita do creme de ervilhas...claro que se ficar bom!!! huahuahua

terça-feira, 22 de setembro de 2009

ARGH!


Adoro ficar deitada na cama de manhãzinha pensando em quê escrever no meu bloguinho. Ontem dei um pitaco no blog da Carô Murgel sobre o cigarro e resolvi me manifestar novamente por aqui também.
Tenho uma visão bem parecida à das pessoas que se manifestaram ali. A saúde é importante? Claro que sim. Mas quem, em sã consciência, acredita que os órgãos governamentais estão fazendo tanta campanha e proibindo o cigarro por causa de nossa saúde? hahahahaha! Caros, existem mais podres entre o céu e a terra do que sonha nossa vâ filosofia (Shakespeare)... Tanta proibição não diminui o consumo, só encarece o produto. Além do mais, fica muito mais difícil que uma pessoa com câncer possa acionar legalmente uma dessas grandes indústrias do tabaco depois de provado que a pessoa foi bem alertada, fumou porque quis, não foi incentivada, ao contrário, foi bem desestimulada ao vício. Claro que um ambiente fechado cheio de fumaça incomoda - concordo em proibição neeeeessssttteeee caso, claro que tem gente que tem alergia, claro que a roupa fica fedendo, claro que cinzeiro sujo é um saco, claro que existem regras de educação ao fumar. Mas a paranóia em torno de quem fuma hoje em dia é um horror, cada um de nós se transformou no vigia do outro, bem ao gosto do estilo norte-americano de viver, onde todos se vigiam e se delatam. O prazer do bom cigarro é sempre quebrado por uma frase do tipo: isso faz mal à saúde, deixe de fumar, vamos fazer uma boa e saudável caminhada e comer um bom e saudável prato de verduras???? Carne? Nem pensar! Ovos? Leite? Argh, nem pensar! Doces, bolos, tortas, massas? Arrrrrgh! Chocolate? Arghs triplos e pulos de horror. Tinta de cabelo para parecer menos velha? Argh, estraga o cabelo - cara, a idade já tá levando a vitalidade do cabelo, a tintura às vezes até ajuda a dar um brilhozinho...
Mas mudando um pouco de pato para ganso (adoro umas frases feitas, elas me servem tão bem!!!) esse panótico às avessas da televisão tem um poder ilimitado sobre as pessoas; a mídia em geral, mas principalmente a imagem unida ao som, que traz o sonho pronto. As tecnologias não são más, o progresso não é mau, a medicina tem feito milagres para melhorar nossa qualidade de vida, tanto que, se eu estivesse nos tempos do nosso caro Machado (o de Assis) já teria passado desta para uma melhor -esticado as canelas, batido as botas- no mínimo no primeiro parto, já que meu primogênito estava sentado e era grande. Não fosse a cesariana, não fossem os antibióticos na mastite e outras tantas maravilhas, puxa, nem estaria aqui mesmo! Por outro lado, a ditadura imposta pela telinha é de matar. Insidiosa, nojenta, alarmante. Em seu texto Tecnologias do Eu, Foucault fala sobre as formas de poder e como nós, indivíduos, realizamos uma série de operações em nossos próprios corpos e mentes para nos encaixar dentro dos padrões estabalecidos pelo poder. A televisão não leva nossa imagem ao Grande Irmão, mas traz a imagem de uma forma massacrante aos nossos lares, às nossas cabeças, até que todos os valores veiculados se transformem em valores coletivos...uma verdadeira lavagem cerebral, um instrumento realmente de manipulação de se tirar o chapéu. Somos uma outra época da história da humanidade, nada a ver com nossos bisavós. Hoje a história é bem outra. Depois continuo com minhas reflexões. Agora tenho que ir para o trabalho, pois também do pão e do vinho vive a Bau. Beijos.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Concursos e mudanças de plano

Hoje o dia esteve especialmente bom. Apesar da temperatura variar muito e haver em um momento sol e no outro nuvens, estive o tempo todo trocando experiências e idéias com pessoas inteligentes e cheias de boa vontade. Acho que um dos motivos de tanta alegria também é que tomei uma decisão que, embora difícil, me agradou muito. Bem posso ainda mudar de idéia até sábado, mas desisti, ao menos por enquanto, de fazer o concurso que pensei em fazer em João Pessoa. É específico de uma área que domino na prática, mas cuja teoria desconheço. Dessa maneira eu gastaria um monte de dinheiro para não passar da primeira etapa... Mas é uma decisão muito terrível de se tomar, pois a estabilidade que se ganha num concurso desses é invejável até hoje. Muita gente considera que a saída para seus problemas é passar num concurso público. Acho que têm razão. Ah, estou com sono, amanhã continuo. Boa noite.

sábado, 19 de setembro de 2009

Reflexões

Nem quero colocar marcador, acho que tudo agora começa a se aclarar em minha cabeça: provoco susto, espanto, não pertenço nem a este nem àquele mundo, pois meu mundo é aquele que provoca o susto, o espanto, acho que nunca consegui sair disso, o que sou ou o que penso, isso é meu. Totalmente meu. Falar do mundo, das coisas, faz parte daquele meu lado que detesto. Não quero falar do mundo, pois eu tenho uma visão bem distinta do que normalmente se diz que o mundo é. Não gosto de transitar na calçada da maioria, costumo me espalhar no meio da rua, onde todos deveriam ter o direito de passar. Aí que me bato com as pessoas. São presas de seus próprios medos e preconceitos. Nem quero julgar, mas acabo julgando. Amigas que estão presas em suas teias...eu não sei o que fazer. Correr é impossível, agora, não quero mais correr, espero que a morte chegue pelas mãos alheias como vingança?

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Pensamentos soltos

Há dias sem escrever de novo, nada sistemática, mas estou adorando me conhecer assim, assistemática, a-alguma coisa. Tá ótimo. Estou fazendo um trabalho grande, e adoro ficar à mercê dos livros e do computador, dos dicionários e das novas teorias que invadem a minha vida. Apesar do vento que está cruel hoje, que trouxe um friozinho, e da chuva chatinha que enlameia tudo e deixa minha sala de estar parecendo o "barracão de zinco", com as roupas num varal improvisado tal qual bandeiras desfraldadas, estou feliz, e empacotada em duas meias e duas blusas. Quem tem que sair muito de casa para trabalhar sabe do prazer de poder ficar empacotada no escritório ou na sala, mesmo que seja trabalhando. Bom, nem vou falar do lazer agora, pois não dá, amanhã ou semana que vem...talvez! Outro dia cometi uma sacanagem contra mim mesma, escrevi um texto, postei, e depois apaguei. Eu relatava a violência doméstica em minha experiência pessoal, e foi tão dolorido e forte que não aguentei, tive que tirar. Me senti como se estivesse expondo uma ferida ainda tão aberta como há vinte anos, sem a possibilidade de cicatrizar. Então apaguei. Deixa no escuro da minha cabeça. Minha namorada está viajando, fiz supermercado com meu filho. Às vezes fica difícil sair de meu umbigo. Daqui a pouco vou comer.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Calor e frio

Puxa, há três dias eu estava na praia tomando sol e cerveja, comendo camarão, e hoje estou com as mãos geladas, com dois casacos, com frio nos pés!!! Estes veranicos tem disso, a gente se enche de esperança de que todos os dias serão lindamente ensolarados, e repentinamente um ciclone vem e nos pega de calças curtas, literalmente. Todo o mundo de short, tiritando de frio. Enchentes, chuvas de gelo e vento, telhados quebrados, casas ruídas e deslizamentos, muita gente desabrigada, esse é o saldo desse encontro de frente fria e quente. Espero que passe logo, e que as pessoas possam retomar suas vidas.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Violência de gênero

Tenho acompanhado quase diariamente as notícias do Diário Catarinense, principal veículo de informação em Santa Catarina depois da televisão. As notícias sobre a violência contra a mulher aqui são estarrecedoras. Quase todos os dias me deparo com um assassinato perpetrado por um ex, ou por um atual marido, namorado ou amante. Há pouco tempo um marido matou a mulher no norte da ilha e a deixou morta na garagem de casa, e seu assassinato só foi descoberto porque ela não apareceu no trabalho. O motivo? Caramba, importa o motivo da violência? O homem matou, seja por ciúme, por raiva, por vingança. Ele matou. Há poucos dias um homem agressor, que já não podia se aproximar da ex-mulher, se aproximou. E a matou com 11 tiros, dentro da loja de conveniências do posto de gasolina que eu frequento,no sul da ilha. Ele só está preso porque estava procurado por estelionato. Há outro tanto de tempo uma americana que morava em Sâo Paulo jantou com os amigos na praia dos Açores. Poucos dias depois foi encontrada morta e enfiada num saco em uma tubulação também no sul da ilha. Não se descobriu os assassinos. Esta semana uma menina planejou a morte da mãe e da namorada da mãe, que a "obrigavam a ajudar na limpeza da casa" . Por não aceitar o relacionamento estável homossexual da mãe, planejou matá-las, e a duas amigas. A idéa era abrir a porta à noite, e dois rapazes amigos as matariam a tiros. Os rapazes foram ouvidos pelo Conselho Tutelar e estão nas ruas outra vez. A menina ainda está em poder do Conselho. Como essa garota vai voltar a seu lar? Como essa mãe vai dormir com o inimigo? Em julho um homem foi atrás da ex-mulher no shopping e a matou a tiros ali mesmo. Estou tentando juntar todas as reportagens sobre esse verdadeiro femicídio que acontece em Florianópolis e no Estado de Santa Catarina, em busca de ajuda para que possamos também pensar numa campanha contra a violência de gênero aqui, uma vez que parece que as leis não estão sendo suficientes para frear essa sanha assassina de homens inconformados pela rejeição das mulheres. Ainda não sei como começar, mas vou descobrir.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Parada da Diversidade

Domingo Ci e eu fomos à Parada da Diversidade em Florianópolis, onde moro. Antes de nos concentrarmos no Koxixo's, o bar simpatizante de onde saem os caminhões (trios elétricos), fomos dar uma volta nas praias com meu filho mais velho e minha nora que vieram passar o feriado conosco. O passeio foi ótimo, mas o restaurante caro, então desistimos de almoçar ali. Comi um espetinho na Parada e tomei umas cervejas com Ci. Quando chegamos tinha bastante gente, mas ainda havia estacionamento. O tempo estava nublado e quente, e começamos a caminhar entre as pessoas, os ambulantes vendendo bebidas diversas, as pessoas sorrindo, tirando fotos, curtindo a Parada. Tinha de tudo um pouco, mulheres - lésbicas ou não, homens gays ou não, travestis tanto femininos quanto masculinos, famílias heterossexuais e homossexuais, senhores, senhoras,montes de gente apreciando um momento de descontração e de apelo político. Foi uma maravilha caminhar ao lado de tanta gente segurando aquela bandeira enorme pela Avenida Beira-Mar Norte. Minha companheira disse que se alguém dissesse para eu largar aquela bandeira eu daria uma mordida. Nem pensar. Eu só sairia dali por vontade própria. Como já não sou mais uma menina e trabalho muito, num momento tive que largar a bandeira e voltar para casa, mesmo antes da caminhada toda. Mas foi incrível estar com todas aquelas pessoas, e poder compartilhar com elas esse momento de visibilidade. Conversei com mulheres de todas as idades e foi muito estimulante. E um detalhe no mínimo chocante. Fui buscar uma cerveja e um sujeito se sentou ao lado de Ci para conversar. Eu cheguei e começamos a falar sobre a Parada e o sujeito não se identificou como gay, pois, segundo ele, era ativo. Disse que não era gay, que gostava de mulheres, mas que se tivesse um gay disponível, ele transaria. Aí eu disse: então você é gay! Ele me olhou com uns olhos meio bêbados e disse: será? O que vocês acham? Caramba...

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

D.Dolores

Imaginem o que o coração sente mas a mente não acompanha, a idade avançada, a demência senil, a exigência da companhia, e ao mesmo tempo a doçura da atenção, de uma relação de outra dimensão. Isso tudo foi D. Dolores para mim, uma relação de outra dimensão com uma pessoa que não conheci saudável e que agora se vai, assim, como num domingo em que segurou em minha mão. A mãe de minha amiga foi parte de algo que foi meu também em um momento. Se isso representou algo para o mundo, não sei, mas com certeza representou algo para mim. Meu mundo está cheio de pessoas que não existem, mas ao mesmo tempo se transformaram em uma família distante, ou próxima. É perto delas que estou envelhecendo.

Camarão com aipim

Contei que gosto muito de culinária, e falei sobre ter feito um camarão espetacular, mas não dei a receita. Comprei camarão sem casca, qualquer tamanho a partir do de Laguna serve. Claro que quanto maior, mais saboroso, mas nem sempre o dinheiro dá. Cozinhei o camarão no bafo com pimentão vermelho e amarelo, tomates e coentro. À parte cozinhei o aipim e bati no liquidificador com a água do camarão e coalhada. Juntei os ingredientes, adicionei sal, coloquei num refratário com queijo ralado e tomates por cima e levei ao forno para corar. André e eu comemos com arroz de alho (arroz branco, feito com azeite de oliva e alho) e salada de alface com cebola crua. Experimentem fazer e depois vocês me contam o resultado. Quem sabe nos vemos no domingo na Parada da Diversidade.

Preta Gil

Já há umas duas semanas estou me devendo este comentário. É que li uma entrevista de Preta Gil no site so Terra que dizia o seguinte: " A atriz e cantora garante que a sua fase polêmica
acabou. "Tudo que tinha para falar de indecente e imoral já falei. Não namoro
mulher há, sei lá, dez anos", contou."
A comparação, ou a proximidade de uma coisa e outra me pareceu bem infeliz.
Indecente, imoral e namorar mulher....isso me arrepiou os cabelos, só de pensar no tipo de reação que as pessoas podem ter ao ler esse tipo de comentário.
Depois, ainda vem a pérola:"Noiva do mergulhador Carlos Henrique Lima, Preta diz ainda que quer se casar com tudo a que tem direito."
Casar com tudo a que tem direito, como só os heterossexuais podem. Homossexuais não podem ter direitos de casal. Ou, para que tenham direitos de casal, passam por uma série de constrangimentos, começando pela diferente terminologia de casamento e união estável.
Bem, esta é uma crítica direta que faço ao discurso de Preta Gil e ao site do Terra.

Mais uma coisa: passando pelo Rio Tavares hoje, vi a chamada para a Caminhada da Diversidade no domingo. Sabe, fico possuída quando vejo chamadas para festas da "diversidade" coroadas com avisos como "use camisinha", "não transe sem camisinha". Quando se fazem raves, festas hetero (supostamente), ou outras festas consideradas heterossexuais as pessoas colocam esse aviso: "use camisinha"? Ou é só no carnaval? Bem, aqui fica uma crítica e uma sugestão, heterossexuais podem ser muito promíscuos, assim como qualquer ser humano. A sexualidade não pode ser negada, e a libido tampouco. Somos seres dotados de sexualidade, queremos fazer sexo - e fazemos, não importa de que forma. Assim, a sexualidade heteronormativa é uma falácia, uma mentira, as pessoas fazem sexo porque se sentem atraídas por outras, sejam do mesmo sexo ou não. Algumas até fazem sexo com animais. Então, colocar o peso da sexualidade sobre as diferenças binárias hetero/homo é uma grande mentira também. Avisos de "use camisinha" não são para estar unicamente em programações da diversidade. Teriam que estar obrigatoriamente em todas as programações onde haja mais de duas pessoas - ou uma pessoa e algum outro ente vivo.

sábado, 29 de agosto de 2009

Trabalho, trabalho, mas um almoço e tanto!!!

Trabalho aos sábados pela manhã, dou aulas para uma turma de iniciantes de inglês na universidade. A única coisa que me faz levantar com prazer é saber que vou me encontrar com pessoas que valem a pena. Não é nada fácil trabalhar a semana toda e levantar cedo no sábado (alguns levantam às 6h para poder estar na universidade às 9h!!!) para ter aulas. Cada vez que penso em preguiça, penso nos sonhos dos meus alunos, na esperança deles, na força de vontade de sair do lugar. As aulas da gente são sempre divertidas, procuro trazer música, faço brincadeira com eles, e desta forma não somente eles ganham, eu também ganho, minha energia se transforma, parece que meu dia fica mais feliz. Sempre quis ser professora. Quando eu era menina e adolecente, costumávamos dizer que o curso de Letras era curso de espera-marido. Que coisa mais tonta de se dizer, já naquela época não dava mais para viver com um salário apenas, a não ser que a pessoa já tivesse dinheiro ou propriedades. Além disso, essa "brincadeira" custou-me muitos anos de vida acadêmica. Certa de que o curso de Letras não era para mim, fiz Ciências da Computação, nos anos 70. Estouro, a profissão do futuro. Eu segui até o fim a trancos e barrancos e enquanto fazia as matérias dava aulas de inglês e jogava vôlei e handball na universidade. Participava da Atlética, não perdia uma festa no DCE, cantava nas serenatas noturnas (delícia!!) dos anos 70. Levei um monte de tempo para me formar e, formada, guardei o diploma na gaveta. Até os anos 90 fui professora de inglês sem formação. Bem, amanhã conto mais. Aliás, preciso contar sobre o maravilhoso camarão no aipim e coalhada que fiz para o almoço.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

O primeiro dia de aula



A emoção da primeira aula. Olhei para o rapaz lá na frente, com um sotaque diferente do meu, ele é italiano. Bem vestido, educado e interessante, não faz rodeios, fala com tranquilidade sobre sua trajetória e explica o que pretende com seu curso. Eu não sabia bem o que encontrar nesse curso de doutorado, onde estou com aluna especial ainda. Me interessa fazer com que minha prática de tradução fique cada vez mais reflexiva. Aprimorar meu trabalho sempre foi um desejo meu, e gosto muito de trabalhar com tradução. Evoluir, aliás, é uma palavra interessante. Para mim, evoluir tem cheiro de aprender, aprender a ser melhor, aprender coisas novas, novas palavras e novas atitudes. Talvez por isso eu tenha gostado tanto da primeira aula, o professor deu um texto sobre os paradigmas da ciência. Claro que já transfiro para minha vida, minha prática docente, minha convivência com as pessoas. Mudar paradigmas é um processo lento, cheio de complicadores, e eu gosto muito de enfrentar desafios. Este curso, assim como todos os cursos para mim são desafios. Sou dispersa e não consigo memorizar muita coisa. Sou inquieta e envergonhada, apesar de aparentemente extrovertida e segura. Engano bem, essa é a verdade. Sou super insegura e me sinto super frágil ao olhar dos outros. Por isso visto a capa da superwoman e tento fazer de tudo um pouco. Mas adoro enfrentar desafios, e claro, de preferência vencê-los. Ainda tenho muita coisa pela frente, tenho uma porção de desafios, todos os dias.

domingo, 23 de agosto de 2009

Conversas com Lola


Lendo o blog de Lola, vi a descrição bárbara que faz do Dragão do Mar, em Fortaleza, e suas imediações. Tive a oportunidade de visitar o lugar, embora não tenha podido aproveitar as atividades culturais pelo pouco tempo. Mas a vantagem de ficar hospedada na mesma rua do "Dragão" me permitiu umas incursões por ali. O lugar é um reduto de casario antigo, restaurado e muito bonito, com restaurantes a preços convidativos e comidas maravilhosas. Eu, que sou uma glutona de carteirinha, a quem os dicionários costumam denominar uma gourmet/gourmand (no bom sentido....hehehehe), provei de tudo um pouco: a carne de sol, tenra e com leve sabor de manteiga, a macaxeira que desmancha na boca, a paçoca, o baião de dois; provei também a patinha de caranguejo, mas tenho uma crítica a fazer: os restaurantes costumam empanar as comidas com uma massa grossa de farinha que esconde o sabor da iguaria e estraga o prato. Já que se mata o bichinho, ao menos que se possa sentir o gosto. Desculpem-me os amigos e amigas vegetarianos. Aqui em Florianópolis também servem-se casquinhas de siri que são mais farinha que siri, tornando o prato pesado e sem graça.
Isis, uma nova amiga, companheira de concurso, me contou sobre um famoso chopp de vinho que só é servido ali perto do Dragão do Mar. Lá fomos nós para comprovar e realmente é uma delícia. No dia seguinte Cintia e eu fomos lá e tomamos mais alguns!! Mas me chocou demais o número grande de pessoas que me recomendaram cuidado em relação à violência na cidade e nas praias. Não sei se tenho cara de estrangeira, mas até na rua me avisavem que ficasse atenta, que não caminhasse - mesmo nas imediações do Dragão do Mar - que não caminhasse pela rua do comércio depois das 18h, que não fosse caminhar na orla antes das 8h e depois das 18h, enfim...mas vi muita gente caminhando, muitas famílias. Talvez seja minha aparência...mas me deu um desconforto me sentir tão vulnerável. Sei que há violência em todos os lugares, mas sempre me choco com isso. Fiquei chocada ao ler no jornal em Florianópolis sobre o assassinato, a tiros, de uma comerciante em Ponta das Canas. A família tinha vindo viver aqui para ter sossego e segurança...


quarta-feira, 8 de julho de 2009

Blogs e concursos

Não estou mantendo a regularidade no blog e acho que meus leitores não devem achar muito divertido ler sempre a mesma coisa.... Bem, mas vou tentar ser mais regular! Entro assiduamente no blog Escreva Lola Escreva, que tem a crítica feminista mais inteligente e divertida que já li. Lola faz crítica de cinema, mas não só. Discute política, artes, movimentos sociais e questões ligadas à educação. Não perco a leitura e os comentários, sempre profundos e embasados em teorias, estudo e experiência.
Lola e eu tivemos nossas inscrições deferidas para um concurso na universidade, ela na área de inglês e eu de espanhol. Já estou em cima dos livros, estudando bastante. É a primeira ver que faço um concurso numa federal, então será uma experiência e tanto! Além disso, passei no exame de proficiência de língua estrangeira para poder fazer uma matéria no doutorado na área de tradução aqui na UFSC, o que me deixou duplamente feliz. Amanhã conto mais. Estes dias tenho almoçado em casa, e as comidas voltam à baila!

domingo, 24 de maio de 2009

De onde vem a culpa?

Queridos, há frases feitas que são ótimas - do tipo "quem guarda no exterior, tem, quem guarda no Brasil, o imposto de renda e a inflação (aquela que não existe) comem"- , mas outras que são de matar. Uma dessas é aquela que diz que, se a gente ri muito num dia, chora no outro. Estava conversando com minha namorada (somos um misto de namoradas, noivas e companheiras, mas o título "namorada" é tão bonito que acho que vou adotá-lo para sempre), e ríamos muito. Ela, um pouco apreensiva, comentou sobre isso, tinha medo dessa alegria momentânea, medo do que viria depois disso. Esses medos sempre me fazem voltar à memória as leituras e discussões do mestrado, as conversas entre as amigas feministas, as discussões no grupo do Umas e Outras em São Paulo e lá no início das Famílias Alternativas, no final dos anos 1990. De onde tiramos as culpas pela felicidade, pela alegria, pelos momentos de paz? Por que esses momentos são sempre maculados pela sensação de finitude e de culpa pelo gozo? A cultura judaico-cristã é totalmente responsável pela construção dessa sensação em nós, seres vulneráveis, sensíveis e necessitados do conforto social? A quem serve a continuidade dessa crença? Claro que há mais coisa debaixo desse cobertor...(há mais coisas entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia, como nos brindou Shakespeare, pela boca de Hamlet).Hand holding human skull

sexta-feira, 22 de maio de 2009

A defesa

Destampei o falador...huahuahua...a defesa...ai, a defesa...foi bárbara. Li um texto introdutório que me pareceu agradar à banca, nenhum membro (e aqui incluo minha orientadora) balançou a cabeça em reprovação, ao contrário, sempre me olhavam com interesse, Isso me deu coragem, avancei na leitura como se estivesse fazendo um discurso político. Mas era mesmo, afinal não deixava de ser um discurso político pela visibilidade e respeitabilidade da teoria lésbico-feminista, dos relatos de vida das lésbicas, mulheres que não existem (ou já existem? - sempre me faço essa pergunta quando acordo e me olho no espelho). A quantidade de informação, me disseram, valeu, o estilo agradou, enfim, não senti que tenha sido um trabalho em vão, a ser esquecido no escaninho. Vou tentar apresentá-lo de forma mais trabalhada, mais completa, em outros lugares, em outros eventos. Valeu a pena o tempo que foi mais que bem gasto, as aulas, as leituras, as discussões. Gostei tanto que estou pensando seriamente no projeto de doutorado. Será o caminho lógico para mim, quem sabe aprendo algo, afinal! Gente, estudar é tudo de bom, ainda mais estudar aquilo que se gosta. Sentei ali lendo meu texto, duas amigas queridas por platéia numa ensolarada manhã de quarta-feira. Li meu texto como quem lê um discurso, cheia de coragem como disse antes. Ao final, meus examinadores deram seu parecer carinhoso, gentil e muito incentivador. Mostraram melhorias possíveis, novos caminhos, sem nunca mencionar falhas, mas sim como verdadeiros educadores, mostrando novas formas de olhar e de crescer. Enfim, foi uma experiência inesquecível, uma imagem que guardarei sempre comigo, enquanto viver. Cláudia Costa, orientadora, Pedro Souza e Sandro Braga, professores da banca, e Eliana Ávila e Karen Marin, minha audiência, Fátima Simões, com um carinho que não tem como medir nem nomear e Ana Cláudia Gualberto, minha amiga sempre presente em minha vida florianopolitana. Agradeço de coração a estas e a todas as outras pessoas queridas que fazem parte de minha vida.

A feijoada do aniversário da Bau

Nossa, que faz tempo que não escrevo nada aqui. É que às vezes a vida anda tão depressa e a gente parece andar tão devagar...!!! Neste meio tempo mil coisas aconteceram tanto na profissão quanto na vida particular, coisas que não quero abordar agora, talvez por isso tenha fugido um pouco do blog também. Algumas coisas foram legais, outras não, mas simplesmente as vivi, e guardei dentro de meu peito. Nem sempre é bom fazer isso, mas foi o que quis fazer, acho que é parte de minha personalidade. Se me sinto pronta e forte, avanço, senão, me retraio, ou dou voltas até chegar onde quero. Será que é meu lado taurino ou meu lado aquariano?
Distante dos pesares, com a ajuda de Cintia fiz uma feijoada maravilhosa no sábado anterior ao dia das mães aqui em casa para comemorar meu aniversário com amig@s querid@s. A maioria pode vir, e nos divertimos demais. Cintia arrumou a casa, que ficou um brinco. Aí escolhemos o feijão, pois feijão com pedra não dá. Coloquei na panela enorme com bastante água, com umas folhas de louro para dar aquele cheiro especial. As carnes, a maioria mais magra, pois não sou muito chegada em carnes gordas: linguiça calabresa e portuguesa, paio, costela defumada, lombo defumado, carne seca preparada com um pouco de antecedência por ser mais dura, nem precisa sal, os defumados se encarregam de salgar o feijão. Depois de bem cozido o prato principal, fiz o arroz, cortamos as laranjas, a couve. Também fiz um molho de pimenta com bastante salsinha, caldo da feijoada e muita pimenta malagueta e dedo de moça. Aprovaram. Para @s amig@s vegetarianos, feijão separado antes de adicionar as carnes, adicionei cabotchá aos pedaços, cenouras, batatas e cebolas aos pedaços também. Comemos tudo isso com farinha branca, alguns tomando vinho tinto (porque somos fãs de vinho tinto) e cerveja (porque outr@s são fãs de cerveja). Sobremesa? Quem iria sequer sonhar com sobremesa depois desse jantar? Enfim, foi maravilhoso poder reunir-me ao redor da mesa novamente com aquel@s que amo! Beijos a tod@s.

domingo, 29 de março de 2009

A entrega

Entregar algo escrito a alguém é uma exposição enorme. Quando escrevo aqui, estou me mostrando a qualquer pessoa que me queira ler. E não sei qual será sua aceitação, sua leitura, sua reação, e claro que sempre dá um pouco de medo. Foi o que senti quando entreguei a dissertação. A defesa será em abril, mas o alívio veio na entrega do trabalho. Inacabado ainda, sem as observações da banca. Inacabado, ainda, porque estou viva e quero sempre fazer algo diferente, e aquilo já não me basta. Plantei árvores, tive filhos, escrevi um livro e alguns artigos. Isso faz de mim alguém mais completo, mais feliz? Por incrível que pareça, a resposta é: sim. Isso me faz mais completa, mais feliz. Esse maço de folhas não é um monte de palavras, mas muitas horas de leituras, muita decepção e alegria, compreensão e incompreensão, muitas horas de andanças para cima e para baixo, muitos livros comprados, emprestados, ideias discutidas. Esse maço de folhas lê a vida de outra pessoa, de como essa pessoa fala de sua vida. Assim eu aqui, Cassandra Rios está ali.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Os meus e os seus

Há vários dias não escrevo, primeiro, porque retomei meu ritmo alucinante de aulas, e depois porque o resto do tempo tenho estado ocupada com minha dissertação e com a vinda de minha namorada e os filhotes para cá. De certa forma, as coisas andam bem, mas bastante cansativas, pois estou em atividade durante longas horas por dia. Junte-se à toda a movimentação um calor digno mesmo de um belo verão, e aí a coisa pega prá valer. Mas não entrei para falar do calor de Florianópolis no mês de março (que costuma ser muuuuuito forte), mas sim da minha sensação ao administrar vida profissional e familiar. Para quem não sabe, tenho três filhos (homens adultos) e agora tenho mais quatro enteados (ai, que palavra estranha...mas é a única que representa os filhos de nossos companheiros ou companheiras), todos homens também, um adolescente e três crianças. Juntando as famílias, somos duas mulheres com sete filhos homens. Vocês podem me perguntar como me sinto. Me sinto ótima. Me dou bem com todos eles, gosto das crianças e estamos começando a nos compreender, aprender uns com os outros. Eles ainda não mudaram para cá, mas vão mudar, e é tudo o que quero. Quero ver como nos sentimos no dia a dia, como é que nossas vidas e relações vão fluir a partir da convivência diária. Aposto positivamente. Claro que não me sinto mãe das crianças, sou a companheira da mãe delas. Estamos, juntas, aprendendo a conciliar nossa relação dentro do pouco espaço que sobra num lar cheio de crianças pequenas. Eles tem pai, mãe, primos, primas, avós, trazem para mim uma outra vida e uma outra leva de pessoas que até então não fazia parte de minha vida. e eu também levo para eles tudo o que minha vida representa e tem. Quando chego à noite e escuto a voz deles dizendo que a Bel chegou, é uma alegria, é como se estivesse revivendo a infância de meus meninos. E vejo a casa me esperando, me recepcionando com amor, com vontade. Sei que parece que estou girando em torno de meu umbigo, mas não se trata disso. Quando aproveito este espaço para contar um pouco de nossas vidas, confronto os valores heteronormativos, mostrando que temos famílias diferentes daquelas que a heteronormatividade tem imposto desde antes de sua invenção como nome e conceito (ver Jonathan Katz). Estou feliz com nossas vidas. Não dá para adivinhar o futuro.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

os filhos

Filhotes, ai, filhotes. Nunca fui muito piegas. Gosto do dia das mães, de flores de aniversário e adoro quando um filho me leva a um lugar e me compra algo ou me paga um almoço. O valor não conta, conta o gesto. Pode ser um sanduíche e pode ser um camarão. Pode ser uísque ou pode ser cachacinha. Importa é estar com eles e ver a satisfação no rosto deles de pode mostrar que amadureceram, que são independentes. Não existe nada mais prazeroso que dormir na casa de um filho, tomar café da manhã ou provar de uma comida que eles ou a noras fizeram. Sou uma sogra totalmente sui-generis. Adoro as namoradas de meus filhos, sofro com cada briga, cada separação. É a vida deles, afinal e respeito seu espaço. Gosto do beijo do dos meninos quando estão comigo e me abraçam com tanto carinho, é tão verdadeiro e puro!
Mas o que me motivou a escrever sobre eles hoje foi a primeira noite do André na casa nova dele. Ele não está morando longe de mim, mas isso me traz à memória a ida do Bruno e do Daniel. Para os pais, por menos piegas que sejam, sempre fica uma tristeza e um orgulho. A casa fica vazia. Hoje, pela primeira vez em Florianópolis, tranquei as portas antes da meia-noite. Estou só. Meu menino mais novo amadureceu, saiu de baixo da minha asa. Natural e necessário, mas essa constatação é só retórica, por dentro eu queria mesmo era ir lá na porta dele chorando dizendo: brincadeira da mamãe, querido, seu bercinho tá lá te esperando. Aiaiai!
Enfrento minha covardia. Estou com saudade dos meus meninos pequenos, de shortinho, de tênis surrado, caçando sapo, fazendo fogueira, jogando bola, suando, chegando em casa contando histórias. Estou com saudade dos aniversários. Tivemos uma vida boa. Traumas, quem não os tem? Mas fomos felizes. Somos felizes. Que orgulho dos meus bebês grandes, meus homens crescidos, decentes, honestos. Morro de orgulho dos meus meninos.
Hoje presto homenagem a meus filhos, que sempre me acompanharam com amor e com amor têm meu apoio para sempre. Eles se preocupam comigo, me querem feliz, cuidam de mim mesmo à distância, querem minha companhia, têm orgulho da mãe. Caramba! Isso é felicidade!

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

O céu dos animais

Eu não estava pensando em escrever algo triste hoje, mas a gente não tem controle sobre o mundo, infelizmente. Minha rua é de terra e areia, esburacada, tem mais ou menos uns 900m. no total, e não chega a ter 7 m. de largura. É uma rua só de residências e cocheiras, cheia de crianças ciclistas, pequenos que mal começaram a andar, muitos gatinhos, cachorrinhos, cavaleir@s em seus cavalos, e pedestres, gente que não tem carro e se desloca pelo meio da via para pegar o transporte coletivo que fica a 1 km. daqui. Não existe calçada nem guia. Mas aqui os carros, motos e caminhões de serviço passam a uma velocidade incompatível com todos esses aspectos. Desrespeitando qualquer regra de cuidado humano, essas pessoas põem nossas vidas em risco.
Hoje um desses caminhões atropelou e matou quase instantaneamente uma cachorrinha, abandonada em nossa rua há vários meses e que todos cuidávamos com muito carinho, à qual demos o nome de Sprite. Não tinha um ano e meio, ainda, pelo que imaginávamos. Mandamos esterilizar, vacinamos com as melhores vacinas, V10 e antirrábica, e passamos carrapaticida para evitar doenças. Muito esperta e valente, não parava em nenhum quintal. Tentei mantê-la em casa durante um tempo, mas não havia muro possível que a impedisse de sair. Enfim, vivia nas casas vizinhas e na rua, a passear, brincar, latir para os transeuntes, carteiros e lixeiros, como todo cachorrinho do mundo. O atropelamento pode ser uma fatalidade, um descuido, uma impossibilidade de frear, um movimento brusco do animal. Mas um atropelamento como esse considero criminoso, não só pela velocidade desenvolvida pelos veículos nesta rua estreita e sem recursos, como pela covardia do autor - que supostamente teria feito algum curso de "direção defensiva" - em não socorrer sua vítima. Não importam as circunstâncias, essa fuga é seu maior crime.
Minha vizinha e eu pegamos Sprite ainda quente e levamos ao veterinário mais próximo para providenciar o funecão. Foi a última gentileza que pudemos fazer por ela, que nos alegrou com suas festinhas, suas artes e seu olhar inocente. O céu do animais hoje se enfeitou para receber mais um de nossos animaizinhos.
Cursos de direção defensiva não adiantam, caros legisladores, se não tivermos condições decentes de vida para a população, e, lá na educação básica, a valorização da honestidade, solidariedade e real compromisso com a coletividade. Isso permitiria que o quadro de degradação social, o descaso pelo outro, a violência, a falta de respeito, pudessem sofrer uma reversão considerável.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Carne de sol e tapioca

Ontem à noite comecei a escrever, mas o computador ficou de mal de mim! Depois do trabalho, o lazer. Há duas semanas, mais ou menos, inventei de fazer uma carne de sol, tendo guardado na memória os passos para se fazer essa maravilha. Bem, contar os passos já é outra história, só vou dizer que funcionou, e ficou como manteiga (que me perdoem os vegetarianos). Desfiadinha, macia, saborosa.
Depois de aberto aquele tradicional vinho chileno tinto seco, meu preferido, apesar do calor, fiz umas tapiocas com polvilho doce e azedo que, por sorte, tinha em casa. Aberta a tapioca na frigideira, espalhei um pouco de manteiga (não tenho de garrafa, mas tenho Aviação) sobre ela, coloquei um pouco da carne de sol, previamente refogadinha com cebola em rodelas e pedaços grandes de alho, dobrando-a ao meio.
O resultado, gente, foi demais, tapioca macia com um recheio de se comer de joelhos. Meu filho André, que gosta de miojo e salsicha, elogiou, e muito. Para vocês verem que não estou fazendo propaganda à toa do prato.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Dos jantares

Sou parada por culinária. Gosto de experimentar as mais variadas comidas, sejam exóticas ou não, desde uma dobradinha com feijão branco até um salmão ao azeite e amêndoas, do curry e chilli ao sashimi e ao delicioso ceviche. Enfim...mas há coisas que não me apetecem, não sou fâ de carnes gordas (digamos que ao menos não sou fã das gorduras das carnes), nem de peixes de rio. Não aprecio rim nem miolo, e não achei muito boa a parrillada argentina servida em alguns restaurantes, as carnes vieram secas, queimadas, e seu gosto era ativo demais. Além disso, a quantidade absurda de comida já deixa qualquer um cansado, só de olhar. Bem, mas adoro cozinhar, tirar fotos dos pratos e adoro apreciar a cozinha de minhas amigas. Fizemos há alguns dias um jantar maravilhoso em que bebemos cabernet sauvignon ou cerveja, suco para as abstêmias, e o cardápio, vegetariano, foi incrível: pão de alho e pão integral caseiro, salada de tomates sem pele e sem sementes cortados em pedaços grandes e temperados com ervas, ricota esfarelada com ervas e berinjela com tomate seco no azeite. Sobremesa, um mix de banana, maçã, manga e açúcar mascavo feito ao forno. Infelizmente, não fotografamos os pratos. Foi demais.

Do Jardim

Nem todos têm o privilégio de ter um espaço grande para um jardim, e eu, que confesso publicamente minha negligência para com o meu, sou honrada pela saudação das primeiras plantinhas que começam a crescer aqui. Primeiro a gramínea nativa que se espalha no solo arenoso e o calor causticante do verão, depois dois arbustos insurrectos, verdejantes apesar de meu descaso, e agora as pequenas árvores plantadas pelo meu filho Daniel, duas pitangueiras, um pé de graviola e outro de araçá (acho). Lindos, também resistem à minha desnaturada natureza e às investidas de minha matilha de cadelas, todas irrequietas e glutonas, comendo folhas, flores, frutos e raízes, para palitar seus dentinhos selvagens. Hoje me armei de maternidade ecológica e, de biquini e tênis, cortei a gramínea, cuidei das plantinhas, varri as pedras. O resultado foi fantástico para mim. Meus olhos puderam contemplar o espetáculo incrível que oferece um jardim bem cuidado, meu corpo se sentiu profundamente recompensado por aquelas horas de distração e carinho e acho até que minha meninas sentiram um certo respeito por meu esforço, pois não as vi nenhuma vez tentando mordiscar os caules. As vi correrem felizes pelo gramado, como se soubessem que naquele lugar vão correr ainda, muitas vezes, crianças e animais, livres e cheios de energia.